Catar 2022: bola, camisa e nuvem

Catar 2022: bola, camisa e nuvem
Al Rihla, a bola da vez | Divulgação: Adidas

Num campeonato esportivo, é comum que os atletas, literalmente, suem a camisa, certo? Neste ano, teremos a Copa do Mundo FIFA no Catar. Atletas, público, o pipoqueiro, o cachorro da vizinha e todo mundo que estiver lá vão suar a camisa, a calça, roupas de baixo, meias… todo mundo suando até partes do corpo que sequer se sabia da existência. Meros 50ºC. Na sombra.

Bem, não se depender de um grupo de profissionais. Engenheiros, técnicos e cientistas que vêm trabalhando duro nos últimos anos para transformar a estadia – e o evento como um todo – numa experiência climaticamente suportável.

O trabalho vem dando frutos. Ou folhas, como vimos na reportagem El Palm: tecnologia, sombra e água fresca, publicada nesta Prensa há alguns dias. Uma palmeira cibernética que provê sombra, energia, wi-fi gratuito e ainda lhe dá uns borrifos d’água de vez em quando.

Calor dos invernos!

Mas pense nos atletas em campo. Aquele solzinho agradável na cabeça, do tipo que frita ovo no asfalto. Não parece nada motivador, apesar da pequena fortuna que cada um receberá para participar do campeonato. Vamos combinar que disputar uma partida nessas condições é de fazer Neymar cair sem nem olhar pra bola. E em campo, não haverá uma palmeirinha para cada um.

Bom, vamos tratar primeiro da inovação que estará com os atletas. Literalmente, eles vestirão a camisa da tecnologia. Desenvolvida originalmente para trabalhadores da construção civil, uma camiseta inteligente, com micro sensores aplicados ao tecido, deverá entrar em campo experimentalmente em alguns atletas escolhidos. 

Conectada via Bluetooth, tem a capacidade de monitorar em tempo real a respiração, a hidratação, e claro, o batimento cardíaco de seu usuário. Se aplicadas a uma equipe, ou nesse caso, a um time, as camisetas trocam informações entre elas e todas enviam para uma estação de monitoração, permitindo ao técnico (ou aos enfermeiros) tomarem decisões que poderão influir na partida – e na vida dos jogadores. Um verdadeiro Big Brother da sudorese.

Uma nuvem passageira…

Ok, já sabemos que parte dos atletas estará protegida. E o público, que continuará torrando ao sol? Bem, isso não é cem por cento verdade. Quase a totalidade dos estádios do país será coberta, e claro, refrigerada. Os poderosos sistemas de ar condicionado devem manter a temperatura numa média de 23ºC. Fico imaginando a sensação de sair do estádio para a rua, mas aí é outra história. Imagino que tenham “áreas de descompressão climática”.

Certo, mas imagine como seria interessante ter uma sombra te esperando lá fora, não é mesmo? Seus problemas (ou pelo menos de quem estará lá) acabaram! Está lançado o Ultra Nuvem Generator X 2022 das Organizações Tabajara… bom, é quase isso.

Uma grande nuvem artificial, na realidade um imenso drone cheio de hélio, irá sobrevoar estádios e arredores, seguindo o sol através de um sistema de inteligência artificial e gerando uma bela sombra lá embaixo. Com estrutura de carbono e quatro grandes hélices, será movimentada através de motores elétricos alimentados, obviamente, por energia solar.

Já resolvemos o problema do calor e resistência… e espera, e a estrela da festa? Dá pra imaginar que alguma coisa especial aconteça com a bola, não?

Ripa na Chulipa Digital

A bola oficial do evento, chamada de Al Rihla, foi desenvolvida pela Adidas, mesma empresa que vem criando as bolas oficiais ao menos desde a Copa de 1974, quando apresentou a Telstar ao mundo.

As diferenças: criada com tintas e cola à base de água, é considerada uma das primeiras bolas sustentáveis do mundo. Talvez, com exceção, daquelas bolas que fazíamos com meias velhas na infância. E certamente não terá o chulé característico.

A Al Rihla (que em bom árabe quer dizer “A Jornada”), décima quarta bola criada pela divisão de design da empresa para a FIFA, foi pensada de modo a maximizar características de voo, estabilidade e velocidade. Será “a bola mais rápida e precisa da Copa do Mundo da Fifa até hoje”, segundo Franziska Löffelmann, diretora de design de Futebol da Adidas, em entrevista à CNN.

Tudo bom, muito bonito, mas um pouco decepcionante para quem esperava que num local tão cheio de tecnologia (e polpudos orçamentos) como o Catar, a bola fosse tão “simplezinha”. Já tinha gente lendo o artigo imaginando que a Al Rihla poderia até jogar sozinha.

Bom, não vai tão longe. Ainda. Mas há algumas surpresinhas na boa e velha gorduchinha. A bola oficial terá também um bocado de tecnologia embarcada. De cara, já vem com um chip instalado, que a mantém em contato com um aplicativo. Através dele será possível monitorar o andamento da partida, visualizar o movimento da bola com precisão inédita e é claro, compartilhar com outros usuários. 

Não que devamos imaginar o pessoal postando isso no Instagram. Mas a bola irá contando a velocidade e a força de cada chute, a altura atingida, distância percorrida e muito mais. Poderá inclusive ser uma auxiliar do VAR naqueles momentos de “tocou na bola ou não tocou”.

Chama o VAR!

Falando no VAR, será também diferente: desta vez, ele não terá nenhuma intervenção humana – ou divina – e sim o uso de um sistema de inteligência artificial de grande porte, que fará a “varredura esquelética” dos jogadores em tempo real. Por mais tenebrosa que esta expressão possa soar. Cada jogador terá 29 pontos do corpo monitorados, e a informação estará disponível para o Juiz e bandeirinhas em meio segundo.

Estas não são as únicas novidades. Acompanhe aqui na Prensa, que até o início do campeonato, teremos muita coisa pra contar.


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