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Enfermagem: A profissão majoritariamente feminina

Enfermagem: A profissão majoritariamente feminina

Em um momento tão atípico ao qual estamos vivendo, pudemos presenciar e apreciar com mais veemência diversas profissões atuantes na linha de frente perante a pandemia do novo Corona Vírus (COVID-19), e uma das mais importantes foi, e está sendo, a enfermagem. 

A atividade de cuidar do próximo é uma das mais antigas do mundo. Nos primórdios da civilização, a enfermagem – que nem sequer era nomeada dessa forma – era colocada em prática para garantir a manutenção dos grupos sociais e eram exercidas por mulheres. 

Ao longo de sua história, entre guerras e epidemias, a atividade foi se aperfeiçoando e hoje continua sendo uma das principais e valiosas profissões do mundo. A enfermagem sempre foi conectada a grandes crises e grande movimentos na existência humana, podemos citar como exemplo algumas pandemias ao longo dos séculos como a peste bubônica, varíola, gripe espanhola e o próprio coronavírus.  

O surgimento de novas doenças e “pestes”que se espalhavam pelo mundo foi o motor para que a atividade de cuidar das pessoas sofresse transformações e se renovasse na ampliação de seus conhecimentos e na consolidação da profissão que passou a ser reconhecida e respeitada. 

Mesmo com registros da atividade da enfermagem antes de cristo, e com o início da institucionalização da profissão na Europa por volta do século XVI, marcada principalmente pela Revolução Industrial, foi somente no séc. XIX que a função ganhou espaço e notoriedade.  

Essa percussão começou na Inglaterra, partindo da influência e atuação de uma grande mulher, Florence Nightingale, que, até hoje, é uma das principais referências da profissão no mundo. 

                Florence Nightingale na Guerra da Crimeia -  Imagem: Biblioteca do COFEN

Florence nasceu em Florença, em 12 de maio de 1820, vinda de uma família rica, bem relacionada e importante, a jovem também foi exemplo ao enfrentar e rebelar-se contra o papel tradicional das mulheres naquela época - que eram submissas e boas esposas- para realizar seu sonho dentro da Enfermagem. 

A Enfermeira foi pioneira no tratamento de feridos durante a Guerra da Crimeia, atuou como reformadora social, escritora, estatística e é considerada a fundadora da Enfermagem Moderna.  

A representatividade de Florence para a profissão em níveis internacionais é inegável, e, seguindo deste ponto, temos outra mulher que atuou e foi exemplo para a Enfermagem no Brasil, Anna Nery. 

Partindo de histórias semelhantes em alguns aspectos, Anna nasceu na cidade de Cachoeira, interior da Bahia em 1810, casou-se aos 23 e ficou viúva aos 29, assumindo a responsabilidade de cuidar sozinha de seus três filhos. 

A origem humilde de Anna a tornou uma mulher forte e corajosa. Com o início da Guerra do Paraguai, os filhos de Anna foram convocados para servir o exército Brasileiro. Temendo o pior para seus filhos e não querendo ficar afastada dos mesmos, a mulher requereu um pedido para o então presidente da província da Bahia.  

Em seu pedido, Anna pediu que lhe fosse dado o direito de acompanhar os filhos, e também seu irmão, na Guerra, ou que ela pudesse ao menos prestar serviços nos hospitais do Rio Grande do Sul. 

Com seu pedido atendido, Anna incorporou o batalhão e partiu para atuar nos hospitais militares de forma ativa. Infelizmente, morreu na luta um de seus filhos e um sobrinho. 

 

 

                                 Anna Nery -  Imagem de Domínio Público/ REPRODUÇÃO

 

Uma profissão honrosa e com grande presença feminina 

Certa vez eu escutei da minha avó, auxiliar de enfermagem aposentada, que a maior diferença entre médicos e enfermeiros é que a medicina trata as doenças, mas que são as enfermeiras presentes diariamente, por meio de cuidado, orientação, atitudes e apoio que cuidam das pessoas.

É necessário ter vocação, dedicação e treinamento para desempenhar a função de se dedicar para outras pessoas. Além disso, podemos observar que a profissão é majoritariamente composta por mulheres, estas que muitas vezes abdicam de suas famílias para cuidar de outras pessoas.  

Em uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por iniciativa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), a enfermagem no país é composta por um quadro de 80% de técnicos e auxiliares e 20% de enfermeiros. Desses valores, 84,6% são mulheres e 53% são negras e negros. 

Apesar da profissão ser a protagonista em guerras e pandemias ao longo do século e estar à frente de uma das maiores epidemias do mundo, a categoria é subjugada em seus salários mesmo estando exposta ao vírus. De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) até 5 de janeiro, 470 profissionais haviam morrido de Covid e outros 45.882 contraíram a doença. 

Ainda de acordo com o COFEN, são os municípios que estabelecem o valor dos salários, o mais alto é R$ 3,1 mil, na cidade de São Paulo, e o mais baixo, R$ 2 mil em cidades de Pernambuco.  

Devemos refletir sobre essa situação, o descaso com o profissional não pode ser compensado somente com aplausos e sorrisos. É necessário condições dignas de trabalho, insumos, cargas horárias compatíveis, estrutura física, apoio psicológico e, principalmente, bom reconhecimento salarial. 

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