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Pragas através da história

Pragas através da história

Poderia ser o roteiro de uma grande produção cinematográfica: uma ameaça invisível está a solta, já tendo feito milhões de vítimas ao redor do mundo. As pessoas começam a se isolar em suas residências, governos começam a fechar fronteiras. Hospitais abarrotados entram em escassez de recursos e insumos para atender todos os doentes. Porém, dessa vez, o clichê ficcional de Hollywood, tornou-se realidade.

Conhecido como Covid-19 (Coronavirus Disease 2019), a doença é transmitida por um vírus e teve o seu primeiro caso oficial documentado em 12 de dezembro de 2019, em Wuhan, China.

Mais de um ano desde seu início, a enfermidade já matou mais de 2 milhões de pessoas ao redor do mundo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o terceiro país com mais casos registrados da doença, com aproximadamente 9 milhões de infecções, perdendo apenas para os EUA e a Índia.

No entanto, engana-se quem acha que esta é a primeira pandemia pela qual passamos. Ao longo da história, diversas pragas acometeram a humanidade.

Peste Bubônica

Os médicos, durante este período, utilizavam máscaras com no formato do bico de um pinguim, pois acreditavam que esta poderia purificar o ar envenenado.
Imagem: Domínio Público/Reprodução

A peste bubônica assolou os continentes europeu e asiático entre os anos de 1333 e 1351, matando aproximadamente 50 milhões de pessoas. A doença se alastrou entre as cidades do século 14 e ficou conhecida como peste negra, em decorrência de manchas negras deixadas na pele.

Giovanni Boccaccio, escritor e poeta italiano, viveu esta fase da humanidade e, sobre ela, escreveu: “Em algumas pessoas as manchas apareciam grandes e esparsas; em outras eram pequenas e abundantes. E, do mesmo modo como, a princípio, o bubão fora e ainda era indício inevitável de morte, também as manchas passaram a ser mortais”.

A falta de higiene e ausência de saneamento básico, contribuiu para o surgimento e disseminação da epidemia. A causa era a bactéria Yersinis pestis, presente em roedores. Estes animais, quando contaminados, transmitiam a doença para o homem através de suas pulgas. Seu tratamento era à base de antibióticos e na ausência deste, podia levar à morte.

Tuberculose

Pacientes com tuberculose sendo tratados às margens do Rio Tâmisa, em Londres. Imagem: Hypeness/Reprodução

A tuberculose, de acordo com um estudo veiculado pela revista Veja, surgiu no continente africano há 70.000 anos. No entanto, seu surto ocorreu entre os anos de 1850 e 1950, chegando a matar mais de 1 bilhão de pessoas.

A doença é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo Koch), sendo altamente contagiosa e transmitida de pessoa para pessoa através das vias aéreas. Atacando os pulmões, a tuberculose é tratada com antibióticos e sua recuperação é estimada em até seis meses.

No entanto, engana-se quem acha que a doença está erradicada. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 1 milhão de pessoas morreram no ano de 2011 por conta da tuberculose.

A doença foi muito retratada em filmes e livros, sendo ‘O Jardineiro Fiel’ (The Constante Gardener), longa dirigido por Fernando Meirelles e indicado a prêmios como o Oscar e o Globo de ouro, um deles.

Gripe Espanhola

Imagem: U.S. Army photographer/Domínio Público

Muito comparada com a pandemia de Coronavírus, a gripe espanhola ocorreu entre os anos de 1918 e 1919, chegando a matar mais de 20 milhões de pessoas. A epidemia foi causada por uma variante do vírus Influenza.

Quanto a doença se espalhou, o mundo passava pela Primeira Guerra Mundial e as grandes potências envolvidas no conflito, censuravam fortemente seus veículos de imprensa. No entanto, como a Espanha não estava incluída no embate, a mídia não estava passando por nenhuma forma de censura. Assim sendo, a doença passou a ser conhecida como gripe espanhola.

Transmitida através do ar por meio de gotículas de saliva, o vírus fez muitas vítimas e dentre elas estava o presidente Rodrigues Alves. Ele faleceu antes de assumir, pela segundo vez, o cargo de presidente do Brasil.

Aids

Identificada em 1981, nos Estados Unidos, a AIDS ainda é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma epidemia. De acordo com a UNAIDS, programa da ONU voltado para o combate a AIDS, o vírus já matou mais de 32 milhões de pessoas ao redor do mundo.

A contaminação pelo vírus HIV pode ocorrer através do sangue, esperma, secreção vaginal ou leite materno. A doença fragiliza o sistema imune do ser humano, deixando a pessoa suscetível a outros vírus e bactérias, como é o caso de Fred Mercury, vocalista da banda de rock Queen, que faleceu de broncopneumonia.

Apesar de não existir cura para a doença, pacientes diagnosticados como soropositivos recebem um tratamento com coquetéis de drogas que inibem a multiplicação do vírus. Atualmente, a OMS estima que mais de 37 milhões de pessoas vivem com o vírus.

O programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu no dia 31 de janeiro a regravação da música ‘A cura’, escrita por Lulu Santos em 1988. O cantor conta que escreveu a música em uma época em que o Brasil passava pela epidemia da AIDS e ao ver pessoas próximas “caindo” em decorrência da doença, ele escreveu a música que, hoje, toma um novo significado com a epidemia do Coronavírus.

 

Foto de capa: ST Illustration/Chng Choon Hiong

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