Como os bancos falam sobre Open Banking

Como os bancos falam sobre Open Banking

No dia 13 de agosto, inicia-se uma nova e talvez a principal etapa do processo de instauração do Open Banking no Brasil. 

A implementação da 2ª etapa do projeto prevê o compartilhamento de dados dos clientes entre instituições financeiras, sejam tradicionais ou digitais, caso solicitado por eles.  

O novo sistema financeiro tem como premissa facilitar o acesso a serviços e produtos ofertados por instituições financeiras para os clientes e entregar suas informações para que você faça o que bem entender com seus dados.  

Apesar da implementação do sistema estar ocorrendo no país desde novembro do ano passado, poucas pessoas sabem a relevância do Open Banking e muito menos o que irá acontecer com suas informações.  

Para que essas dúvidas fossem sanadas, as instituições financeiras desenvolveram campanhas publicitárias para informar o consumidor e consequentemente alcançar novos clientes.   

Nas últimas semanas, várias organizações lançaram suas peças publicitárias e deram a largada para promover um sistema financeiro mais competitivo.  

As campanhas sobre o Open Banking 

Uma organização nem sempre vai promover campanhas somente com o intuito de vender seu produto. Como foi o caso das instituições financeiras que uniram o útil ao agradável ao falar sobre o Open Banking.    

Já sabemos que as campanhas publicitárias tem o objetivo de gerar altas de consumo. Sabemos também que um dos propósitos do Open Banking é promover uma competitividade saudável entre as instituições financeiras.  

Mas então, como essas organizações começaram a promover essa competição? Através de suas campanhas publicitárias encabeçadas por figuras de grande relevância social.  

"O Brasil tá lascado"

Uma das primeiras propagandas que entrou em circulação sobre o tema foi do Banco Santander. Lançada no dia 23 de maio, a campanha contou com a participação de Gilberto, ex-bbb 21 e economista.  

“Gil do Vigor” soube colher muito bem os frutos após sua passagem pelo programa da Globo e algumas marcas também souberam aproveitar sua imagem para se promover. No caso do Banco Santander, a escolha foi certeira.  

A campanha dirigida pelo renomado diretor e roteirista Fernando Meirelles, de filmes como "Cidade de Deus", e "Dois Papas". Gil do Vigor explorou bastante todas suas gírias e bordões que deixaram o Brasil apaixonado, explicando de forma simples o que será o Open Banking e deixando claro que as informações estarão nas mãos dos clientes. 

Após ser divulgada, a campanha tomou conta das redes sociais. O vídeo conta com mais de 11 mil compartilhamentos e 56 mil curtidas no Twitter, além de 230 mil visualizações no Instagram do banco e 1,3 milhão de curtidas no perfil de Gil do Vigor.

A campanha estrelada por Gil garante duas coisas ao Banco Santander: alcance de novos usuários financeiros e abraça a imagem de diversidade, assunto constantemente discutido nas redes sociais e que está sendo inserido nas políticas das instituições financeiras. 

As evidências são claras!

Outro banco que divulgou o novo sistema financeiro com figuras relevantes foi o Banco do Brasil. A peça publicitária desenvolvida pela agência WMcCann contou com a dupla Chitãozinho e Xororó. 

Na campanha "Aberto pra tudo que você imaginar", os artistas compartilham seus nomes verdadeiros com o objetivo de destacar que, quanto mais o banco sabe sobre o consumidor, mais a instituição pode auxiliá-lo de forma personalizada.  

A dupla faz uma versão com o clássico atemporal “Evidências” para “cantar” sobre as vantagens que o consumidor terá em compartilhar as informações com o Banco do Brasil.  

Apesar de não explicar detalhes sobre o sistema financeiro, a campanha promovida com José Lima e Durval aparenta abraçar a parcela de usuários mais velhos da instituição financeira.  

A presença da dupla promove uma certa sensação de “confiança” com o público, algo que é extremamente necessário quando falamos de Open Banking. 

O futuro começa "hoje"

Sem ter uma estrela para aparecer na frente das câmeras, o Banco Bradesco vai além do Open Banking e traz o conceito “Open Finance Bradesco, o poder de experimentar o futuro”.  

O filme de 60 segundos, idealizado pela Publicis e produzido pela O2 Filmes, carrega as cores da instituição financeira em um visual futurista, cinematográfico, e uma produção completamente digital 

Para contribuir ainda mais com a mensagem de um futuro que se abre hoje, a locução é feita por uma menina de 10 anos.  

A utilização pelo termo Open Finance foi audaciosa. Apesar do projeto desenvolvido pelo Banco Central ter como pretensão chegar ao Open Finance, isso ainda não é uma realidade.  

O banco Bradesco se arriscou para mostrar aos seus usuários que ele sempre está um passo à frente de seus concorrentes.  

Outro ponto positivo é que a campanha também é acessível para pessoas com deficiência visual e auditiva. Desde junho do ano passado, todas as peças publicitárias do Bradesco têm versões com tradução em libras e legenda, além de audiodescrição.  

Open Banking pode ser "game"

Atente-se: se você fosse uma pessoa leiga no assunto e seu banco te ligasse falando das possibilidades que um “tal de Open Banking” pode te oferecer, você aceitaria? Provável que não. E muito tem relação com a utilização do termo em inglês que pode causar estranheza e desconfiança.  

Pensando nisso, o Banco BMG contratou o Brivia Group para desenvolver sua campanha. Em entrevista para o jornal Metrópoles, o diretor criativo, David Levy, explicou o motivo pela escolha da figura um tanto quanto “peculiar” para estrelar o “Open Banking Games”. 

“Quando surge um termo em inglês, como ‘open banking’, a tendência é que o público desconfie e ache que o banco está querendo enrolar com termos difíceis. Então, abraçamos o desafio de explicar o open banking do BMG de forma leve, fácil e engraçada. E quem melhor para apresentar isso tudo do que o Supla? Então, o ‘papito’ chegou misturando seu inglês com o português para deixar tudo muito mais claro” 

Supla foi o escolhido para ser o apresentador do “programa”. Em uma espécie de olimpíadas – lembra do programa do Faustão? - divididas em alguns episódios, os participantes tentam vencer os obstáculos em três provas diferentes.  

Cada prova reproduz as complicações enfrentadas diariamente com as regras bancárias atuais: “Labirinto dos Dados Bancários”, “Mar dos Comprovantes e a Colina da Burocracia”, e a “Luta de Cotonete contra o Banqueiro Pegajoso”. 

A aplicação do Open Banking na campanha acontece após os competidores fracassarem nas provas devido aos impedimentos. Como solução, Supla desbloqueia o “modo Open Banking”, que retira todos os problemas da frente do usuário.  

Seja qual campanha for, o importante é ser Open 

As campanhas citadas acima foram só alguns dos exemplos de como as instituições financeiras poderão usar o Open Banking, além de ofertar serviços. A concorrência entre as instituições será grande, mas só ofertar produtos, serviços e peças publicitárias sobre vantagens não é o suficiente.  

Os Bancos mencionados foram além. Todos tiveram como premissa realizar o engajamento do cliente através da educação financeira. Porém, não podemos esquecer que as propostas apresentadas fazem parte de um pequeno recorte de como o Open Banking poderá realmente trabalhar em benefício da população e educação financeira. 

Além disso, o projeto também poderá auxiliar os Bancos tradicionais a embarcarem em um novo mundo onde é necessário pregar visões mais sociais e coletivas.

A partir do momento que a instituição adota uma linguagem simples e acessível a todos, o projeto do Banco Central passa a ser mais do que um instrumento financeiro e alcança parcelas da população desbancarizada que devem ser tão “Open” quanto outras. 


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