Um olhar pragmático sobre Open Finance. Desafios e oportunidades para 2021



Na 8ª edição da série Open Banking Lives, tivemos um debate rico sobre os desafios e oportunidades do Open Finance para o ano de 2021 contando com a moderação de Silvia Bassi, Jornalista e Publisher da The Shift, que conversou com os especialistas na área Carlos Kazuo, Diretor de Inovação - GFT, Júlio Fernandes, Diretor de Negócios Digitais - Axway, Nicolas Albisetti, Head of Architecture – B3 e Rafael D’Ávila, Director Financial Services Industry – Microsoft. 

 

No Brasil, a competição bancária ainda é um fator crítico, já que o mercado permanece concentrado nas mãos dos grandes bancos e tende a ampliar com a plena operação do sistema de arquitetura aberta.  

Os custos e barreiras de entrada e tecnologia estão caindo e se tornando mais acessíveis para que negócios de diferentes portes participem do mercado de forma equilibrada. Consequentemente, essa competitividade vai qualificar a oferta de produtos e serviços e diminuir taxas, tornando o acesso aos produtos e serviços financeiros mais democrático aos consumidores.  

A chegada do Open Banking vem ao encontro dessa quebra de barreira e promoção da competitividade no mercado, contudo tal sistema não vai atingir apenas os bancos, mas busca alcançar todas as instituições financeiras.  

Diversos termos já foram utilizados, como Open Insurance para seguradoras, e até Open Investment para as bolsas de valores e corretoras.  

Tudo isto está englobado em um potencial muito maior e interconectado para permitir que o cliente seja o novo chefe, dominando os dados que possui, e os dados que ainda criará. 

Tanto no Open Banking quanto no Open Finance, como reforça Silvia Bassi, Publisher da The Shift, "a empresa deixa de ser a única 'dona' do cliente, já que este passa a ser o dono de seus dados". Vantagem para as empresas que melhor conseguirem compreender tais dados, criando assim produtos digitais e serviços competitivos, ou seja, monetizar os próprios dados e ao mesmo tempo usar o que sabe para se defender da concorrência 

Para Julio Fernandes, Diretor de Negócios Digitais na Axway, o 'Open' de Open Banking é só o início, pois falamos tanto em Open Finance . “Em outros países como Austrália já se fala em Open de uma forma aberta e independente do financeiro, o Consumer Data Right talvez tenha sido o melhor nome possível”. Ele foi definido pelo governo, não pela questão financeira, mas para a questão de todo. 

Outro aspecto muito importante citado por Julio é a o empoderamento e é nessa 1ª fase que começamos a empoderar as pessoas sobre os dados que as pertencem. 

Nesta fase, temos o acesso a dados de instituições participantes do Open Banking sobre canais de atendimento e produtos e serviços relacionados com contas de depósito à vista ou de poupança, contas de pagamento ou operações de crédito.  

Porém, do mesmo modo que a data de implementação da 1ª fase sofreu alterações, antes prevista para novembro de 2020, as fases subsequentes também mudaram:    

Segunda fase, de 31 de maio para 15 de julho de 2021 → Compartilhamento entre instituições participantes de informações de cadastro de clientes e de representantes, bem como de dados de transações dos clientes acerca dos produtos e serviços relacionados na Fase I. 

Terceira fase, mantida para 30 de agosto de 2021 → Compartilhamento do serviço de iniciação de transação de pagamento entre instituições participantes, bem como do serviço de encaminhamento de proposta de operação crédito entre instituição financeiras e correspondentes no País eventualmente contratados para essa finalidade. 

Quarta e última fase, de 25 de outubro para 15 de dezembro 2021 → Expansão do escopo de dados para abranger, entre outros, operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência complementar aberta, tanto no que diz aos dados acessíveis ao público quanto aos dados de transações compartilhados entre instituições participantes.  

Aqueles que se tornarem players desse novo cenário terão alguns desafios, mas também oportunidades, dentre eles:

  1. Digitalização – oportunidade de modernizar legados que serão incapazes de lidar com os novos volumes de acesso através das APIs

  2. Mudança cultural – para continuarem relevantes necessitarão repensar inteiramente a jornada e experiência de seus clientes 

  3. Privacidade e Segurança – receio por parte dos clientes em compartilharem seus dados pode comprometer o sucesso efetivo do modelo, baseado no consentimento expresso do cliente 

  4. Conformidade regulatória – o envolvimento e patrocínio do regulador permite e torna a jornada do Open Banking mais fácil, mas continuam existindo requisitos regulatórios sobre todos os participantes do ecossistema

  5. Novas parcerias e colaborações – seja entre participantes do sistema financeiro ou até mesmo com bigtechs para a criação de novas plataformas e soluções

Esse modelo de Open que está sendo implementado no Brasil é fascinante, segundo Carlos Kazuo, Diretor de Inovação do GFT, “É um modelo bastante arrojado em termos de escopo, abertura e alcance, ao mesmo tempo ele é desafiador por conta do mercado brasileiro, que é super regulado, mas apresenta muitos segmentos para serem trabalhados”, explica Kazuo. Para ele o desafio está na quantidade de marcos que estão chegando ao mesmo tempo, a LGPD por exemplo.

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