O low-code e a popularização das ideias

O low-code e a popularização das ideias
As boas ideias agora são blocos arrastáveis (Imagem: Eva Elijas [Pexels])

‎A internet é veículo de comunicação; portanto, de publicidade. Publicidade não tem caráter, isto é, pode tanto publicar a verdadeira cura do câncer como os mais bizarros milagres enganosos.‎ A boa e velha premissa esclarecedora que diz que "papel aceita tudo" é muito bem aplicável à internet. Vê-se de tudo nela, das mais puras verdades a mentiras das mais deslavadas. Algumas delas - verdades e mentiras - estão associadas à aprendizagem de programação.

Anúncios sobre aulas de programação avançam na mesma velocidade da evolução da TI. E o tempo de aprendizagem é inversamente proporcional. Até pouco tempo, era possível aprender Java em dois anos e Python em menos tempo; depois, esse tempo diminuiu à metade; agora, à metade novamente.

"Logo logo vão dizer que são capazes de nos tornar experts em Java e Python em um dia, pois já sabemos usar essas linguagens desde criança e não sabíamos que sabíamos."

Essa ironia foi comentada em tom de brincadeira por Avallon Azevedo, senior front-end engeneer da Toptal. Na ocasião, ele analisava anúncios de escolas ou de professores independentes que pululam na internet como mato em planície.

"Aprenda a codificar"... SQN!

Até pouco tempo, era comum ver anúncio começado por essa frase. Era ouvida mesmo no universo de TI ou corporativo em geral. Parecia ser obrigação de qualquer colaborador de qualquer empresa de qualquer área, incluindo as pequenas empresas.

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Low-code: "Não requer prática nem habilidade... o papai, a mamãe, a vovó vão fazer excelentes aplicativos"
(Imagem: Cottonbro [Pexels])

"Se não aprender a codificar, nunca vai crescer" era complemento obrigatório. Dessa maneira, as implicações do aprendizado - e consequentemente da prática - eram ignoradas. A frase tinha o poder de resumir tudo à simples vontade de querer codificar.

‎Por outro lado, tem-se que aprender a codificar pode destravar o instinto criativo, adormecido talvez em razão de anos e anos de inércia ou por falta de oportunidade. Nesse sentido, a pretensa obrigatoriedade de aprender codificação talvez fosse incentivadora.

Entretanto, codificar uma ideia para versá-la para linguagem de programação requer horas de estudo e proficiência. Afinal, o processo de assimilação dos conceitos envolve alto nível de ciência da computação, a depender da linguagem escolhida.

A conjuntura atual da Tecnologia da Informação talvez não esteja disposta a esperar tanto. Haja vista a lacuna entre empresas necessitadas de mão de obra especializada e o mercado de profissionais. Este tema, aliás, já foi alvo de muitos artigos aqui na Prensa.

O caleidoscópio "low-code"

O mercado tem visto por outras lentes o problema necessidade de empresas-tempo de aprendizagem; elas são  um pouco mais coloridas. O "caleidoscópio 'low-code'" faz visualizar os entraves mais suavemente desde que começou a ser oferecido em 2014.

De lá para cá, o conceito tem abraçado amplitude considerável no mundo de TI.

Não é para menos! As facilidades que oferece a quem precisa de aplicativos, softwares e APIs em geral são estimulantes.

Ideia, low-code, ação!

E resultados.

O conceito de "low-code" tira enorme peso das costas de quem tem criatividade e não dispõe de tempo ou mesmo de paciência para aprender linguagem de código. Não exatamente que tais linguagens ultrapassem o nível intelectual dos criativos; o caso é questão de cada um em seu quadrado.

Ocorrem aí conflitos operacionais que a Psicologia chama de "tipos de inteligência". Ou seja, uma pessoa tem facilidade em certas áreas, mas dificuldades em outras. Nesse cenário, o sistema low-code de construção de softwares faz relevar conhecimentos profundos. E consequentemente tempo, custos e paciência.

Assim, qualquer usuário com algum nível de criatividade pode - e deve - seguir o princípio da cinematografia "uma ideia na cabeça e o low-code na mão" - ou melhor, no desktop

Low-code e transformação digital

A Prensa publicou uma série de artigos sobre transformação digital. E certamente ainda vai publicar muitos mais. Nesse link, Thiago Venceslau explica em vídeo esse...

"fenômeno que incorpora o uso de ferramentas digitais a soluções de problemas tradicionais".

Expondo assim, tudo parece muito simples. Entretanto, como explica Venceslau, o caso é muito mais complexo. Ou seja, o processo de assimilação e aplicação do conceito de transformação digital envolve tratativas com alteração de paradigmas, de práticas eventualmente já enraizadas na rotina operacional.

E os procedimentos low-code chegaram e simplificaram muito tudo isso. Dessa maneira, é capaz de colaborar com o mundo corporativo em vários tópicos:

‎‎‎* Preenchimento de eventual gargalo em atividades de TI

‎* ‎Otimização de processos diversos, em especial os voltados a negócios diretamente

‎‎* Minimização de outros custos operacionais‎

‎‎* Óbvia ampliação do sentido de eficiência

‎‎* Liberação da equipe de TI para tarefas mais complexas ou prementes

* Minimização de tempo em operações diversas

E especialmente focagem em resultados sem pressa, sem atropelos, sem conflitos cliente-fornecedor.

‎Da ideia à prática com menos esforços

Se a tecnologia tem a comodidade e praticidade em geral em seus preceitos básicos, as ferramentas low-code os abraçam com carinho. Nada parece mais cômodo e prático que construir um software simplesmente arrastando e soltando formas visuais na tela.

E sem saber como elas foram parar ali, à disposição, nem em que linguagem foram construídas. Tudo o que se precisa saber é para que servem - na maiorioa das vezes, o próprio visual das formas já indica suas funções.

Assim, o "desenvolvedor" não precisa conhecer a maneira como esses objetos "passaram a existir em sua tela". Basta ter uma ideia factível, minimamente eficiente para os objetivos a que se destina.

Menos tempo, menos esforços, menos custos, menos burocracia... bem... menos conhecimento também. Contudo, a depender de sua área de atuação, conhecimento em codificação pode ser plenamente dispensável.

Se você vive em cenário semelhante, as ferramentas low-code têm sido feitas para você.

E nada para por aí.

O presente e o futuro do low-code

O low-code evoluiu. Em tão pouco tempo, já avançou. É possível dizer que as ferramentas no-code são algo como evolução das low-code. Afinal, as primeiras dispensam nível ainda maior de preocupação com conhecimento em codificação que a segunda. 

Ambas as plataformas buscam o mesmo destino: facilitar a vida de empresas e usuários finais. Ou seja, oferecer praticidade e comodidade. Há dezenas de artigos na aqui Prensa que destacam as vantagens dessas plataformas.

‎Há milhares de softwares nos equipamentos dos usuários finais desenvolvidos por meio de low-code; outras centenas são baseadas em no-code. Enquanto este artigo é lido, quantidade incrível de novos aplicativos ou estão em desenvolvimento ou já sendo entregues.

Não é possível imaginar onde vão chegar. Para se ter uma rasa ideia, o site  Inforchannel lembrou que a Gartner dimensionou o crescimento do mercado de low-code em bem mais de 20% em 2021. Isso resultou em movimentação de mais de 14 bilhões de dólares.

Dentro de 02 anos, esse crescimento vai chegar a 65%.

Promissor! Intensamente promissor!


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