Futuro sem dinheiro na mão?

Futuro sem dinheiro na mão?
Moeda digital brasileira começa a valer em 2024/ Crédito: Freepik

Real Digital acelera processo de Cashless Economy

Real Digital chega, pra valer, em 2024, alerta o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

O que muda com a moeda digitalizada? Menos dinheiro, “dindin”, "cash", papel-moeda, circulando na praça. E, para alguns, um choque de realidade! A onça, da cédula de 50 reais, será raridade na mão.

Será que todo mundo está preparado para o futuro da nova era do dinheiro da Cashless Economy? Tiramos a dúvida com a economista e professora da PUC-SP e da ESPM, Cristina Helena P. Mello. É só acompanhar!

Conhece a versão digital do Real?

O Brasil é referência nessa modalidade: os pagamentos digitais. E o Real, agora, entra no mercado de moedas digitais de Bancos Centrais - Central Bank Digital Currency (CBDC, sigla em inglês). Os testes começam em 2023. Daqui a dois anos, é pra valer!

Mas o que será que esse dinheiro virtual muda na vida de uma sociedade, acostumada com o PIX, pagamentos por aproximação, carteiras digitais? A resposta parece ser simples: tecnologia!

“De certa forma, já usamos uma moeda digital. A diferença, agora, é a tecnologia que está por trás do que estamos chamando de Moeda Digital”, afirma a professora da PUC-SP e ESPM, Cristina Helena P. Mello.

O que se sabe, até agora, sobre a tecnologia para a versão virtual do dinheiro brasileiro de cédulas? O Banco Central deve usar o mesmo recurso das criptomoedas. Blockchain ou “cadeia de blocos” é considerada a mais importante inovação da internet, até aqui.

Real digital será desenvolvido com blockchain, mesma tecnologia de biticoin/ Crédito: Freepik 

Real Digital: A Tecnologia

Você já deve ter ouvido falar de Blockchain com o uso do Bitcoin, dinheiro virtual que faz parte de transações financeiras pelo mundo. Só que essa tecnologia das criptomoedas evoluiu e foi além.

Funciona assim: de forma simples, a cada transferência, as informações são registradas em blocos, protegidos por criptografias, que se conectam entre si, formando, então, a cadeia de blocos.

Só que, na história do Real Digital, a grande diferença será o Banco Central como responsável pela gestão e operação. Com o dinheiro de hoje, por exemplo, o banco ou instituição financeira tem autonomia. Sendo assim, fica a dúvida a seguir...

BC terá mais controle e poderá intervir nas operações?

O recurso de blockchain não permite interferências do Banco Central sobre as transações correntes. Cristina Helena P. Mello reforça:

 “Contudo, permite um rastreamento das operações. Mas recursos como inteligência artificial e outros que podem se somar à moeda digital, podem tornar possível maior agilidade e inovações na área. Principalmente, por parte dos bancos comerciais”.

Em entrevista para a Exame, o coordenador do projeto de desenvolvimento do Real Digital, Fábio Araújo, antecipou que a tecnologia já está na primeira fase de testes, mas apenas para um número restrito de participantes do mercado financeiro.

A tecnologia é complexa e exige tempo para desenvolver. Para ter uma ideia, a proposta é “construir uma plataforma de programabilidade para meios de pagamentos com uso de protocolos de finanças descentralizadas, de pagamento contra entrega, de pagamento contra pagamento e aplicações para internet da coisas”.

Na mesma entrevista, Araújo ainda revelou que o real digital será usado para criar uma plataforma programável de liquidações no Brasil, como interligar os serviços tradicionais aos financeiros de web 3.0

Sendo assim, é hora de conferir as vantagens da moeda virtual brasileira.

Moeda brasileira deve desaparecer, no futuro?/ Crédito: Freepik 

Real Digital: Vantagens

O Banco Central lista uma série de modernidades e facilidades com o Real Digital, além do que existe hoje:

- Rapidez para pagamentos;

- Poderá ser usado em qualquer país, sem burocracias e taxas;

- Segurança: essa é a promessa nas transações online.

Na prática, a população vai poder usar a modela virtual para fazer compras, pagar boletos e até investir em aplicações.

“A velocidade, mais rápida. O custo de transação, muito mais barato. A facilidade de transporte, está na nuvem. As operações cambiais e transferências para outros países também serão mais rápidas, mais acessíveis e mais fáceis”, segundo a professora Cristina.

O Banco Central também afirma que o “Real Digital é um potencial de melhorar a eficiência do mercado de pagamentos de varejo e de promover a competição e a inclusão financeira para a população ainda inadequadamente atendida por serviços bancários”.

Em outras palavras, o BC aposta no avanço de meios de pagamentos online, que devem crescer em mais de 80% até 2025, chegando a 1,9 trilhão, por ano. O montante ainda deve triplicar, segundo levantamento da PwC Brasil 

E que, para o Banco Central, possibilitaria outro avanço da moeda digital com as transações realizadas em smartphones, que cresceram 35% de 2019 para 2020, no Brasil.

Mas, para a professora Cristina Helena, a questão está fora da realidade, já que os celulares não possuem tecnologia avançada para atender plataformas para uso do Real Digital.

“Isso é, de certa forma, um mito. A posse de celulares não amplia significativamente a inclusão financeira. Parte dos celulares não suporta recursos mais avançados e o letramento digital e midiático da população se reduz ao uso das mídias e redes sociais. A pandemia ampliou bastante o acesso e usabilidade de recursos, mas ainda notamos muitas dificuldades e insegurança.”

E como toda tecnologia, tem vantagens, mas também desafios.

Real Digital: Desafios

A digitalização não é uma realidade para a maioria dos brasileiro e esse é o primeiro grande desafio do Banco Central na implantação do Real Digital.

No canal do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o professor Norberto Martins reforça que, no Brasil, uma parcela da população ainda usa o dinheiro em espécie na economia informal.

Além disso, o letramento digital é outra barreira:

“A grande maioria da população não compreende o que é moeda, como é emitida e quem cria moeda. Isso permite uma ampla e vasta incompreensão do processo e impede o exercício da cidadania. Agora, teremos um aumento na incompreensão. Não baseada em processo, mas baseada na mitificação da tecnologia utilizada", segundo a professora Cristina Helena.

E conclui que a facilidade e agilidade nas transferências cria espaço para novas fraudes e roubos. Por isso, outro desafio do BC é oferecer um ambiente seguro para ofertar esse serviço à população, com inovação do sistema de pagamento.




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