O voo da Andorinha

O voo da Andorinha

Primeiro lugar no vestibular de Medicina da USP superou barreiras socioeconômicas com dedicação aos estudos.


 

Inaugurado em 1994, o armarinho Andorinha ganhou notoriedade e virou referência no pedaço, tanto na venda de produtos de bazar como, especialmente, na locação de fitas em VHS e DVDs.

Localizado na periferia da zona leste paulistana, no bairro do Jardim Eliane, sua clientela abrangia também público do Jardim Santa Maria, Itapema, Arize, dentre outros que certamente ali acorriam em busca de entretenimento e cultura.

Pois bem, no início deste ano, para felicidade dos humildes proprietários do notório armarinho, Emerson e Cristiane Atallah, seu filho Wallyd foi aprovado no concorrido vestibular para o curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP), em primeiro lugar na seleção das cotas sociais e raciais da instituição pública.

Ao vislumbrar a oportunidade de ingresso por meio dessa modalidade de política afirmativa, o jovem Wallyd Atallah, ainda que portador de tom de pele clara e sobrenome de origem árabe, não teve dúvida: foi à luta. Sempre aluno de escola pública, conseguiu realizar um cursinho particular por meio de uma bolsa de estudos e conquistou um lugar indubitavelmente almejado por milhares de candidatos a uma vaga em curso de reconhecida e aguerrida concorrência nacional.

Cabe aqui registrar que na USP, diferentemente de muitos de seus pares no ensino público superior, o critério de admissão por cotas não se restringe apenas aos candidatos considerados pretos, pardos e indígenas (PPIs, conforme registro do IBGE). De fato, a USP por décadas foi contrária à adesão do sistema de cotas de minorias étnicas, raciais ou sociais, mas finalmente em 2018 sucumbiu às pressões da sociedade civil e introduziu-o em seu famoso vestibular FUVEST, conforme decisão histórica de 75 de seus 92 membros votantes do Conselho Universitário.

O site do G1 procurou o promissor futuro doutor para uma reportagem, cujos detalhes estão expressos no link a seguir (aqui):

Apesar da pouca profundidade na discussão do tema racial ainda muito controverso entre as diversas camadas sociais que compõem o estado de São Paulo -- e por extensão o Brasil --, a matéria produzida pelo grupo Globo, ao conferir destaque à proeza de um estudante de periferia paulistana, tem o mérito de, além de incremento do debate, procurar esclarecer a juventude estudantil mais carente a fim de participar com juízo de igualdade dos processos vestibulares ao longo de todo o Brasil.

Imagem de capa - Wallyd entre a irmã e os pais corujas – Imagem: álbum de família.

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