Empreendedorismo: ESG fará falta ou diferença para o seu negócio

Empreendedorismo: ESG fará falta ou  diferença para o seu negócio
ESG vai cada vez mais fazer a diferença na decisão dos investidores. Ilutração: Serasa Experian

Você sabe o que é ESG? O acrônimo de Meio Ambiente, Social e Governança (em inglês) vem se tornando referência para investidores interessados em negócios que refletem ação nessas áreas. Além disso, o ESG acrescenta valor ao empreendimento e potencializa o crescimento não somente pela oportunidade maior de atrair investimento, mas também pelo reconhecimento público da marca, produto ou serviço.

É um engano entender que o ESG é compatível apenas com médias ou grandes empresas. Para os micro e pequenos empreendedores abre ótimas oportunidades de destaque. Quer saber mais? Vamos deslindar essas práticas e ver como todos se beneficiam delas.

Meio Ambiente

Apesar da redundância evidente – as duas palavras podem ser empregadas no mesmo sentido –, a expressão virou hit a partir dos anos 90 do século passado, embora conferências mundiais sobre o tema ocorressem desde o início dos anos 70. Se globalmente os resultados da agenda ambiental não vem apresentando os resultados desejados, a sustentabilidade tem feito a diferença nas empresas que reduzem os impactos de suas atividades.

A XP Investimentos reforça a percepção de que a sustentabilidade vem ganhando apoio no mundo corporativo. Cita como exemplo o ranking que a B3 vem publicando desde o início de 2022 com as empresas da carteira do seu Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISE). São empresas gigantes em seu setor, como a Klabin, CPFL, Renner e Itaú. A metodologia do ISE passou a considerar as políticas ESG somente a partir de 2021.

O objetivo do ISE B3 é apoiar os investidores na sua tomada de decisão, estimulando a adoção de ações para a sustentabilidade. Operando também na B3, o Banco do Brasil aparece em terceiro lugar no 2021 Global 100 ranking, que lista as 100 empresas mais sustentáveis do mundo. A Natura aparece em 42º lugar e é só. Visando reforçar nossa representação, é evidente que precisamos nos esforçar mais.

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) realizou uma sondagem com 3.912 empresários de todo o país a respeito das ações adotadas. Os resultados foram:

Controle do consumo de Água – 80,6%

Coleta seletiva de lixo – 70%

Destinação adequada de resíduos tóxicos – 65,6%

Como nem tudo são flores, os pesquisadores colheram também resultados negativos, como a falta de hábito de utilizar matérias-primas ou materiais reciclados ao longo da cadeia produtiva (49,3%) e muito menos reusar a água ou captar água da chuva – apenas 16,6% dos entrevistados afirmaram que tomam essas providências

Fatores Sociais

Ações sociais como as que costumamos registrar, como o Programa Escola Brasil do Santander e o Movimento Natura, fazem parte da responsabilidade social. Porém quando falamos em ESG há dimensões internas e externas e o social abrange ambas.

A ação social deve envolver tanto stakeholders como os shareholders. É comum o uso indiscriminado  dessas expressões no memo sentido, contudo se referem a definições bem diferentes. Os primeiros são os colaboradores, clientes, fornecedores e comunidade. Os segundo são os investidores ou acionistas. É mais fácil visualizar a aderência social em face dos envolvidos na atividades e os que sofrem diretamente seu impacto. Mas os shareholders se encaixam como?

Por óbvio, investidores tem expectativas diferentes a respeito da atuação da empresa em comparação aos demais públicos. Naturalmente, o retorno do investimento é a preocupação central. Entretanto cresce a noção de que esse retorno está baseado inclusive na postura adotada pela empresa, quer em suas ações sociais quer na relação com seus demais atores.

Empresas alinhadas com valores sociais, esforçando-se para manter clientes satisfeitos e a lealdade dos trabalhadores, abordagem adequada nas questões da diversidade e inclusão, respeito aos direitos humanos e proteção de dados privados são políticas ou diretrizes com potencial para angariar reconhecimento e valor. Sem generalizar, há grupos de investidores mais interessados nesses ativos intangíveis do que propriamente no lucro em potencial.

Governança

Por fim, o último aspecto das competências ESG – mas não menos importante – é a governança corporativa. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) indica que são quatro os princípios da competência de governança:

Transparência, disponibilizando todos as informações interessantes para todas as partes interessadas e não somente aquelas obrigatórias.

Equidade, que é o tratamento justo e isonômico tanto dos stakeholders como dos shareholders, sempre considerando seus deveres, direitos e expectativas.

Accountability, assumindo a responsabilidade por atos e omissões e sempre prestar contas da atuação de maneira clara, esclarecedora, compreensível e com tempestividade.

Responsabilidade Corporativa para manter a viabilidade econômico-financeira da empresa, amenizar as externalidade negativas e destacar as positivas, sempre considerando os diversos capitais que compõem a empresa (financeiro, intelectual, humano, intangíveis e outros) com planejamento de curto a longo prazo.

Mudança de paradigma

Fica claro que cada vez mais investidores estão buscando valores intrínsecos ou valuation relacionados às políticas de ESG. Não basta apenas o ganho pecuniário, mas a sustentabilidade desse ganho no longo prazo. Adianta pouco expectativas de lucros exorbitantes reais ou projetadas se a atividade gera cada vez mais passivos sociais e ambientais, com transgressão da governança corporativa gerando perda de credibilidade e insatisfação das partes interessadas.

Como investimento é uma questão sensível para grandes e pequenas empresas, a contemporaneidade entre o exercício de atividade econômica e as novas premissas voltadas ao conceito de sustentabilidade é condição de expansão, num primeiro momento, e depois de sobrevivência a partir do aprofundamento da tendência.

Seja você, empreendedor, grande ou pequeno é interessante estudar as habilidades ESG de modo a incrementar o valor do negócio e da sua marca. Há muitos materiais destinados a informar e fornecer os primeiros passos para sua empresa seguir a nova “onda verde”. Um dos melhores é da empresa Sustainalytics, uma controlada da Morning Star Inc. que é focada em análise de investimentos. A cartilha “Começando com o ESG – o que toda empresa precisa saber” (em inglês) pode ser baixada gratuitamente pelo site www.sustainalytics.com.

Há consultorias especializadas em modelos ESG para quem tiver disponibilidade para investir mais. De qualquer forma, refletir sobre as  novas tendências é buscar diferenciais que, no futuro, podem estabelecer onde você estará como empreendedor ou investidor. Pensar a respeito nada custará, assim como pesquisar.

Esperar, sim, pode custar um bom dinheiro. Vai arriscar?

 


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