Assim como as bolas de mascar são primordialmente feitas de borracha, as quais se elastecem, criando variadas formas, até mesmo bolhas, elas também estouram se pressionadas continuamente.
Não é de hoje que as ações de tecnologia ao redor do mundo estão em queda, e que o mercado dos NFTs tornou-se um assunto delicado a se comentar. O que era um hype há pouco tempo atrás, com vendas exponenciais de mais de milhões de dólares, virou um terreno sombrio e delicado, onde a qualquer momento pode se estourar a terrível bola de mascar.
O ponto principal aqui não é somente o econômico, mas também o monetário. Os NFTs inferem diretamente na taxa de crimes virtuais, principalmente no cybersquatting, ilícito que está no top 3 do ranking do FBI como cibercrimes mais cometidos em 2020.
É importante relembrar que as maiores plataformas que abrigam os NFTs, como o O OpenSea possui um “bug” no sistema deles (ao menos à época deste escrito), em que é uma brecha para pessoas maliciosas para ludibriar os compradores. O esquema ocorre desta maneira: o cibercriminoso manda para uma pessoa famosa como Neymar ou Eminem, a NFT falsa.
Não é necessário que o recebedor aceite a mercadoria ou o item, ou com essa “doação”. Depois disso, o comprador checar o histórico do “vendedor hipotético” e vislumbra que houve uma venda desse vendedor específico para uma pessoa famosa, logo, conclui que a loja, e esse vendedor, é confiável e sério, após isso, eles compram a NFT. Mais tarde, a “loja” ou o “vendedor” manda para o comprador a NFT; contudo, uma falsa, a qual somente dura alguns segundos na carteira do comprador e depois desaparece.
Então, o comprador compreende que caiu em um golpe, um Scam, só que o fato é: já é muito tarde, ele não consegue ter seu dinheiro de volta, como a transação foi feito utilizando bitcoin ou outra criptomoeda, e ele não pode acionar a justiça, ou não consegue, pois, como foi dito nos itens anteriores: não há uma jurisdição pré-definida ou transnacional que julga tais processos. É extremamente importante ter consciência que um grande número de pessoas investem nesse campo, e perdem milhares de dólares nessas transações.
Existem outros “bugs” na plataforma da OpenSea, a maior loja de NFTs atualmente. Foi publicado no Engadget um artigo explicando outro tipo de fraude, o typosquatting. Hackers que compram NFTs que possuem um preço em média de 99 ETH por 0,01 ETH. O Bug no site está criando uma enorme lacuna a qual corrobora para a ocorrência desse crime, eles compram intencionalmente quando acontece esse bug, pensando em gerar lucro extremado na venda posterior deste item.
O ponto central é como lidar com tais ilícitos virtuais; bem, poderia seguir no ponto de vista de cibereducação e compliance digital, mas sabemos que no final das contas os usuários mal irão ler os termos ou os pop-ups que aparecerem na tela; E a segunda opção seria uma mudança no julgamento dessas ações no litigioso, através de reformulação de Smart Contracts e claúsulas que reforcem o pagamento em caso de ilícitos cibernéticos.
Este artigo foi escrito por Maria Renata Gois e publicado originalmente em Prensa.li.

