Uma alternativa para a transição energética

Uma alternativa para a transição energética
Um projeto de usina de hidrogênio verde. Foto: Shutterstock.

Do descaramento presidencial na sabatina do Jornal nacional, terça-feira passada, na Rede Globo, poderíamos falar de muitas coisas. A completa falta de empatia com vidas sufocadas pela Covid, o clássico silenciamento da fome, o caminhão de mentiras.

Mas recolheremos uma informação para desdobrar aqui, na tentativa de transformar pelo menos alguma coisa num debate, de preferência num terreno onde não domine o indigesto da república: no caso, o cinismo.

Em determinado momento, no bloco sobre meio ambiente, o entrevistado comenta, de passagem, o “hidrogênio verde” como alternativa de combustível.

Partindo do pressuposto que o cara-pálida saberia falar tanto sobre o assunto quanto consegue falar de nióbio – ou seja, só o nome da coisa -  vamos aqui explicar um pouco sobre o que é e qual sua possibilidade para pensar a transição energética.

 

Hidrogenando a mente

O hidrogênio é o composto químico mais abundante no planeta. O encontramos em diversos lugares, da água até o carvão. Contudo, o nosso querido “H” é mais carente que fim de festa sem beijo na boca; só o encontramos na natureza ligado a outras moléculas – como o oxigênio, na água.

Por isso, até bem pouco tempo, era inviável pensar abastecimento de energia com hidrogênio. Mas é inegável seu potencial.

O sol existe de fusões nucleares de átomos de hidrogênio que, a uma temperatura de 100 milhões de graus, se transformam em Hélio, liberando energia suficiente para aquecer na medida um certo planeta a 150 milhões de quilômetros de distância.

Manipular técnica parecida pode ser uma alternativa, não só pela energia gerada, mas pela baixa poluição que, aparentemente, produz.

A princípio, produzimos hidrogênio em dois processos: a base de combustível fóssil e eletrólise de água.

O fossilizado não interessa à transição energética, uma vez que mantém a queima de carbono.

O sistema de eletrólise de água é a decomposição dos compostos químicos da água através de correntes elétricas. O que torna, ainda, a produção em massa muito cara. Mas existem projetos de pesquisa tentando baratear esse custo.

No Brasil, os projetos de hidrogênio verde estão ligados aos do etanol, pois a água usada na produção da cana pode servir à eletrólise. Essa é uma forma possível de baratear custos e impactos da proposta.

O grande “x” da questão é, mesmo, como ganhar escala. Com essa etapa vencida, setores industriais inteiros podem produzir sua própria energia, bem como convertê-la para os transportes.

Motores de carros elétricos, além de mais eficientes que os movidos a combustão, podem utilizar hidrogênio.

Acontece que desenvolver o processo de eletrólise e, assim, baratear os custos, demanda altos investimentos iniciais sem visibilidade de retorno. Por isso a dificuldade de avanço.

O Estado, na prática, é o único que consegue garantir alto investimento por longo período sem expectativa de retorno imediato. Depois de desenvolvida a tecnologia, as empresas comercializam.

Foi assim com a internet e vem sendo com a exploração espacial, inclusive.

Se o Brasil quiser entrar no clube, deve fortalecer a educação, da básica à superior, para ter mão de obra qualificada, e investir pesadamente em complexos químicos para pesquisas em hidrogênio.

E isso não acontece da noite para o dia. São anos aprendendo até ter domínio da tecnologia.

O cenário global se oferece ao Brasil, esperando sua apoteose. Não há país mais estratégico, do ponto de vista das potencialidades, para pensar modelos de transição energética e oferecer ao mundo possibilidades. Falta vontade de fazer.


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