Os rumos da ciência no país

Os rumos da ciência no país
Arte: João Paulo Parker/Secom/UnB

Ao final do mês de julho ocorreu o maior evento científico da América Latina: a Reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Em sua 74ª edição, teve como tema: “Ciência, independência e soberania nacional”.

Até os candidatos à presidência foram convidados a dar palestras sobre seus planos para o setor no Brasil. Leitores, vocês têm uma chance para descobrir quem, dos três primeiros colocados, não compareceu.

O lema dessa Reunião não poderia ser mais oportuno: nos 200 anos da Independência no Brasil, a ciência é vetor fundamental de garantia da soberania nacional.

Foi lançado um documento chamado “Projeto para um Brasil Novo”, estabelecendo diretrizes que orientem políticas de um próximo governo (sugiro a leitura, inclusive)*.

A Reunião foi marcada pelo anúncio de “bloqueio” – corte descarado – de quase metade do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) pelo governo. A realização do evento foi, em grande parte, aglutinação de forças em prol do veto a essa medida.

Mais do que isso, recolocou sob discussão pública a importância basilar da pesquisa científica e tecnológica no desenvolvimento sustentável da economia. Para tanto, é preciso mais do que cessar a regressão orçamentária praticada nos últimos anos.

Não adianta construir complexos industriais voltados à pesquisa sem capital humano capaz de absorvê-los. Da mesma forma a recíproca é verdadeira: de nada adianta formar cientistas capazes sem estrutura, o resultado é fuga de cérebros.

É preciso que o conjunto da economia nacional possa absorver, de alguma forma, os resultados do investimento. Isso implica integração regional e capacidade de poder de compra por parte da população.

Este último pode ser alcançado também pela oferta de empregos qualificados propiciados por complexos de pesquisa espalhados pelo país.

Esses tópicos dependem de outra situação: a preservação ambiental. Nossas florestas de pé são uma oferta inigualável de compostos, da fauna à flora, que podem desenvolver indústrias de alta complexidade, de medicamentos a energias renováveis.

Além de serem fundamentais na regulação do clima. Devemos, antes de tudo, pensar no bem-estar.

Como visto, apenas uma andorinha não faz verão. Todas devem estar integradas em linhas gerais num programa de fomento ao desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação. Grandes compras públicas devem garantir as pesquisas dos institutos e empresas.

Nada disso é invenção. Todos os países desenvolvidos fizeram. A título de exemplo, a Hyundai - terceira maior montadora de carros do mundo – foi deficitária por décadas. Começou a produzir carros com motores nacionais com mais de 20 anos de existência.

Contou, para atravessar o tormentoso mar da complexidade tecnológica, com enormes subsídios do Estado sul-coreano. O investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) ajudou a transformar a Hyundai, e a Coréia, num player global em tecnologia de ponta.

No Brasil de 2022 os problemas são outros, assim como as necessidades. Portanto, delinear um projeto que, de fato, nos torne independentes e soberanos, respeitando o meio ambiente, urge.

 

*Deixo como sugestão o documento editado pela SBPC: http://portal.sbpcnet.org.br/noticias/sbpc-lanca-caderno-projeto-para-um-brasil-novo/


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