Ferramenta é como se usa

Ferramenta é como se usa

Foto: Divulgação/Banco Central

Nova ferramenta de pagamentos, o Pix abriu portas. Pensado a partir de 2016 no Banco Central (BC), o produto foi apresentado em fins de 2020. Constitui método instantâneo, em qualquer dia/horário. 

A inovação representa passo definitivo do famoso meio de troca em direção ao esoterismo. De números impressos em papel aos algarismos espelhados numa tela. Agora mesmo é que não se vê a cor do dinheiro. 

Cabe entender o Pix em meio às transformações estruturais da dinâmica do Mercado. No caso brasileiro, o século XXI assistiu ao ingresso de quase 50 milhões de pessoas, até então alijadas, ao sistema bancário; além da inserção de plataformas digitais – ocasionando o salto ao digital do dinheiro. 

Nesse sentido, o Pix integra um capítulo dessas mudanças. Se as relações sociais estão smartizadas, apegadas à nova temporalidade que damos ao tempo, a forma de pagamento inevitavelmente também deve ser.  

Até os bancos já perceberam isso e iniciaram migração ao mundo dos pixels há alguns anos.  

Nem toda pixada é legal 

Tanta facilidade ainda esconde o suado dinheirinho da carteira, evitando batedores de todos os tipos, certo? Mais ou menos. É que quando o mundo muda, ele muda pra todo mundo.  

Se houvesse escolas técnicas para absorver toda inventividade de trabalhadores subutilizados que resolvem trafegar pelas ruas do crime, esgotaríamos as fronteiras tecnológicas. 

São diversas as formas de golpe, a maioria envolvendo segurança digital. Os que não, geralmente são fruto de sequestro relâmpago, que acarreta problemas maiores do que cair em lorotas webinárias. 

Falando delas, a mais comum é a clonagem do Whatsapp. Possivelmente após primeiro contato do golpista se passando por uma empresa. Isso é crucial e evidencia problema crônico da reestruturação digital forçada a galope: uma massa de pessoas não sabe lidar com a intensiva troca de informações que é a internet. 

(Exemplos temos de sobra, mas segura a onda se não hesitamos e quando menos se espera estamos no Inquérito das Fake News, nas milícias digitais e o buraco negro não tem fim) 

Para ser enxuto, muitos golpes se baseiam em conversas em que o golpeado passa informações ao golpista, ou, no mínimo, segue suas instruções.  

A malícia do mundo digital é grassar com aspectos de autenticidade qualquer impropério: - Tá na tela, é verdade! 

Levar a sério a transmutação das relações humanas a um modelo híbrido - físico e digital - é compreender que, na pós-modernidade, dependemos de duas alfabetizações. 

O que nos leva a outros dois tipos de golpe muito comuns. Na primeira passam-se por funcionários do banco, convencendo o correntista a abrir uma chave. Esta exigiria um teste, e a vítima transfere dinheiro ao golpista. 

A outra envolve Fake News. Um alerta sobre falhas no sistema do Pix em que as pessoas recebem prêmios em dinheiro a partir de transferências para determinadas chaves. 

Se dinheiro fosse fácil assim não haveria filas do desemprego. De novo a necessidade, escancarada, de alfabetização digital, além de formação crítica. Qualquer informação dessa magnitude estaria em todos os canais oficiais (sites do BC, do Governo, ...) e nos grandes canais da imprensa. 

A década passada popularizou o uso de dois celulares, um privado e um para trabalho. Em breve, dada violência urbana e capacidade de quebra do sigilo de dados, podemos ver a “tendência” de três, sendo um exclusivo para transações no Pix. Quem lambe os beiços são as fabricantes. 

Dois lados da moeda 

A facilidade do Pix não veio sem fragilidades. Maior desregulação agilizou o processo e dificultou rastreamento. É muito difícil recuperar dinheiro perdido na plataforma. 

Por isso alguns cuidados primários por vezes podem evitar dores de cabeça. Quase um curso de navegação defensiva pelos mares da internet. Nunca – NUNCA – nunca – repasse informações importantes a desconhecidos pelas redes sociais (senhas, cadastros, dados pessoais ou financeiros). 

Em caso de contatos do seu banco por whatsapp pedindo esse tipo de informação (que geralmente eles já têm), desconfie. Entre em contato direto com o banco e averigue. Em caso de Fake News sobre prêmios miraculosos, dinheiro de graça, confira canais oficiais (eles existem). 

Todo cuidado é pouco quando o assunto é dinheiro. Sem estelionatos, com ele na mão, já é um vendaval. Em certos cenários, quanto menos surpresas, melhor. 


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