A antecipação da geração de inúteis

A antecipação da geração de inúteis

Repensar as relações de emprego com o avanço da tecnologia não é mais um trabalho para o futuro, mas uma necessidade imediata.


 

O relatório Futuro do Emprego 2018 do Fórum Econômico Mundial lista advogados, contadores, mecânicos, motoristas, bancários, trabalhadores fabris, auditores, gerentes e caixas de lojas como algumas das profissões que sofrerão com o avanço da inteligência artificial e da automação.

A pandemia do novo Coronavírus está marcando o início deste século e trazendo efeitos com consequências profundas. Uma dessas consequências foi a antecipação de algo que estudiosos previram apenas 2050, “a geração de inúteis”.

A geração de inúteis é uma massa de desempregados que não são empregáveis em consequência do avanço tecnológico. As atividades desempenhadas por eles foi substituídas por máquinas capazes executar melhor, mais rápido e mais eficiente funções que requerem pouco estímulo intelectual. Em um artigo para o jornal inglês,The Guardian,  o professor israelense da Universidade Tel Aviv e autor do best-seller “Sapiens: Uma breve história da humanidade” Yuval Noah Harari, afirma que o problema não é criar novos empregos, mas sim criar empregos que as pessoas sejam capazes de melhor executar do que uma máquina. Nesse caso, a geração dos inúteis é uma geração que não conseguiu se reinventar. 

Um exemplo de mundo pós-trabalho é a sociedade israelense, onde alguns judeus ortodoxos dedicam suas vidas a estudar as escrituras, sendo sustentados por suas esposas e subsídios do governo. Pesquisas concluíram que esses homens são satisfeitos com esse estilo de vida, mesmo sendo pobres.

A pandemia do COVID-19, também escancarou uma realidade comum nos grandes centros urbanos: as desigualdades. A quarentena imposta pelos governos estaduais e municipais,  tirou de muitos trabalhadores informais que ficaram sem sua única fonte de renda. Os partidos de oposição conseguiram aprovar um projeto de renda básica emergencial para atender estes trabalhadores, lógica que se repetiu em quase todos países onde a pandemia causou prejuízos à economia e principalmente à população de baixa renda.  Hoje os debates sobre a criação de uma renda básica universal se tornaram ou ganharam espaço, mas com a pandemia tornou-se imperativo uma renda emergencial para aqueles que não conseguem trabalhar e não conseguem se sustentar, pois mesmo trabalhando houve grande redução nos salários, permitida pelas reformas em curso no país. Voltando ao tema, Harari, afirma que essa geração de inúteis, será alimentada por uma renda básica universal,  ele chama a atenção para outro  problema: se não estão empregados, o que farão os inúteis? Uma das respostas são os videogames. Imaginar realidades virtuais é algo que a humanidade já faz há muito tempo. Harari compara a religião com um jogo, você ganha ponto por citar suas orações e ao final de sua vida, a quantidade adquirida pode ser ou não suficiente para o próximo nível. No Brasil temos o crescente número de igrejas pentecostais e neopentecostais, que necessitam de muita gente para seu funcionamento(obreiros, diáconos, pastores, líderes ministeriais, etc..) e se que mantêm pelas ofertas e dízimos dos fiéis. Também é bom destacar o papel das organizações sem fins lucrativos e não governamentais que contam com trabalho voluntário.

 O artigo publicado pelo historiador Yuval Noah Harari, o relatório “O Futuro do Emprego”, bem como os Cadernos da ONU, o Trabalho como motor do desenvolvimento são  importantes e cada vez mais assertivos. Mais do que nunca é hora de se repensar as relações e pensar nas novas   relações trabalhistas. Governos e sociedade precisam urgentemente considerar essas mudanças na hora de planejar e formular políticas públicas de educação e para o trabalho que considere esse cenário que foi antecipado em décadas.

Para saber mais:

Estudantes continuam escolhendo carreiras sob risco de extinção: https://www.correiobraziliense.com.br/.../estudantes...

Uma nova classe deve surgir até 2050, a dos inúteis: https://epocanegocios.globo.com/.../uma-nova-classe-de...

RELATÓRIO do PNUD: O Trabalho como motor do desenvolvimento humano: http://hdr.undp.org/.../default/files/hdr15_overview_pt.pdf 

O futuro do emprego| Relatório de 2018 do Fórum Econômico Mundial: http://abet-trabalho.org.br/the-future-of-jobs-report.../

Imagem - Mohamed Abdelsadig - via Pexels


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