Chico Buarque não morreu

Chico Buarque não morreu

A rasteira que eu curti levar.


 

Há alguns anos, quando soube do lançamento do documentário “Chico - artista brasileiro”, não me empolguei muito. Na verdade, achei até meio over. E olha que sou buarqueano desde o salário mínimo.

Explico: meu primeiro emprego foi aos 17 anos, no Bob’s do Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro. A primeira remuneração da primeira assinatura na carteira de trabalho correspondia a 117 reais - o valor do salário mínimo à época. E no que gastei? Em três CDs de Chico Buarque. Não quaisquer uns, mas os três primeiros discos de sua carreira. O mais famoso deles é o da capa que virou meme com um Chico sorrindo e outro sério.

De lá pra cá, foi ladeira acima conhecendo, decorando e me maravilhando com a obra de Francisco de Hollanda. O ápice foi garantir a portentosa coleção de TREZE DVDs sobre ele, cada um com um tema diferente: Futebol, Cinema, Política… de um tudo pros fãs se fastiarem. Sendo que muito do conteúdo vinha de especiais de TV sobre Chico. 

Então, quando foi anunciado um documentário sobre o compositor que tanto espaço tem na mídia e está tão consolidado no olimpo cultural brasileiro, confesso que desdenhei. O que haveria de novo? A pré-sensação de empanzinamento redundante me tomou.

Aí a Netflix incorpora o título e me sugere. Depois vem uma conveniente insônia na noite de sexta. Então resolvo aferir qual é a desse documentário. 

É como se eu tivesse que dizer pra vocês esquecerem quase tudo o que escrevi até o parágrafo anterior.

São muitas imagens inéditas, como entrevistas de Chico no exterior (falando o idioma local), tanto no exílio como debatendo sua arte, e um olhar todo especial sobre a carreira literária. A seleção primorosa de intérpretes para as suas músicas, que gravaram especialmente para o filme, sublinham o óbvio: pqp, que cancioneiro!

A sensação ao final do filme é de ter renovado o orgulho de ser brasileiro em tempos tão áridos nesse quesito. Todo elogio ao diretor Miguel Faria Jr. por proporcionar algo novo a partir do (cada vez mais) velho Chico Buarque, que não perde o brilho dos olhos ao falar do destino ao qual se lançou desde moço.

“Chico - artista brasileiro” resvala em desvendar um dos grandes mistérios do ser: se a eternidade existe, e qual o gostinho dela. A impressão é que Chico Buarque não morreu, nem morrerá, ressuscitado periodicamente pra não deixarmos a banda passar.

Imagem - Sergio Fonseca


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