Inteligência Artificial | Fase Complexa

Inteligência Artificial | Fase Complexa

O Caule do Trigo

Assim como um urso panda sabe encontrar seu bambuzal predileto para conseguir celulose, um vírus sabe encontrar seu hospedeiro preferido para conseguir hialoplasma e ribossomo, dois elementos tão importantes para a sobrevivência do vírus, quanto a fibra e a proteína são para o panda.

Qual a diferença entre um panda e um vírus?

Um panda pode passar por um processo de aprendizado durante sua curta vida. Um vírus, não. São necessárias várias gerações para haver algum tipo de aprendizado, o que chamamos de mutação, quando uma nova cepa surge.

Mas onde está, exatamente, a diferença entre estes dois Seres?

Talvez você vá ficar surpreso com o que eu vou afirmar agora.

A diferença está apenas na quantidade de Algoritmos “instalados” no Hardware.

Explico: você já deve ter percebido que estou usando “Hardware” no lugar de “Corpo”, com o intuído de estabelecer uma analogia entre Seres e Máquinas. 

Este Hardware contém DNA, um mapa de instruções, que contém os Genes, as unidades de informação, responsáveis por “instalar” os primeiros Algoritmos no seu cérebro.

Obviamente, o vírus está num estágio bem incipiente de vida inteligente. Contudo, após ser infectado pelo vírus da gripe, você vai espirrar. Já se perguntou por qual motivo?

A resposta é simples: sobrevivência!

Sobrevivência? Sim! O vírus provoca um espasmo no hospedeiro. O Espirro joga parte da colônia no ar, possibilitando que suas cópias encontrem um novo hospedeiro.

Alguns tipos de carrapatos podem escalar plantas até certa altura, para se posicionar na ponta das folhas. Qual o motivo? Esperar seu hospedeiro passar.

Vimos até aqui, que o vírus, o panda e o carrapato possuem hábitos que não aprenderam, eles simplesmente sabem fazer o que fazem.

A razão é que todos carregam Algoritmos instalados de “fábrica” dentro do seu DNA, cujo resultado é esta “Inteligência Amórfica”.

Vou mais longe!

As plantas também carregam Algoritmos!

Vou contar a saga do trigo. Há milhões de anos, o trigo era uma plantinha silvestre sem importância alguma para muitos seres vivos. Vivia nos campos, sendo semeada por um processo tão comum quanto é o processo de semeadura da mamona. A semente cai próximo ao caule e outras plantas nascem ali.

Em 2022, o mundo deve colher, aproximadamente, 800 milhões de toneladas de grãos de trigo. Isso significa que deve haver 400 milhões de pés de trigo no planeta, pois cada pé produz em média 2 quilos.

Por que estamos falando da safra do trigo, afinal? Para encontrar o Algoritmo do trigo.

Veja que, há cerca de 10 mil anos, o trigo soltava facilmente seus ramos repletos de grãos ao menor movimento. Um único solavanco derrubava todos os grãos da espiga. Isso tornava o trigo uma planta imprestável para o homem. Imagine ficar catando grão a grão até completar dois quilos. Dava trabalho demais. Resultado: o homem dava tanta importância ao trigo quanto dava à mamona.

Vamos olhar de perto o Algoritmo do trigo.

            Se o grão estiver maduro
                  Então, afrouxe a ligação do ramo ao caule
            Senão, reforce a base do ramo

Certo dia, um pé de trigo nasceu sem este Algoritmo. Você é capaz de descobrir qual foi o resultado dessa simples mudança?

Vou deixar você pensar um pouco sobre isso.

Voltemos ao panda. Este animal se alimenta de bambu, logo, é herbívoro, certo? 

Errado! O panda é onívoro, pois, se alimenta de ovos, insetos e pequenos roedores. 

Ele possui o mesmo sistema digestivo de um carnívoro. Contudo, há alguns milhões de anos, perderam o Algoritmo do sabor. Por isso, comer um suculento bambu ou um ovo dá no mesmo. Então, ele prefere passar praticamente o tempo todo comendo, pois um animal adulto precisa de mais ou menos 20 quilos de vegetais por dia.

A consequência disso é você ver um panda caçando igual a qualquer outro urso, caso não encontre um bambuzal. Inclusive, o panda pode aprender a caçar roedores.

Seu DNA contempla um tipo de estrutura mais complexa que o DNA do vírus ou do carrapato. Ou seja, o panda carrega um tipo de “software” mais complexo, pois domina a faculdade mais importante da inteligência, a capacidade de aprender.

Inteligência é a faculdade intelectual de conhecer, compreender e aprender.

Agora, chegamos a um estágio onde podemos entender melhor como se dá este processo de aprendizado.

Quando você era apenas um bebê, obviamente, não sabia falar. Mas o seu Software foi desenhado para compreender o ambiente, analisando os dados oriundos dos milhares de sensores que o seu Hardware contém. Os sensores mais conhecidos são: visão, audição, olfato, paladar e tato, mas existem milhares de outros que você nem imagina. Por exemplo: o sensor de carícia.

Isso mesmo, sua pele tem sensores de carícia. Por isso você adora um cafuné.

Agora imagine o que acontece no seu cérebro, quando alguém segura a sua mão.

Quando alguém chora, não abrace. Segure a mão dessa pessoa. O choro vai parar quase de imediato. Isso porque as mãos contêm uma grande quantidade de sensores de carícia.

O seu cérebro recebe um impulso elétrico, informando a carícia. Imediatamente o cérebro vai executar um Algoritmo mais ou menos assim:

            Verificar os Sensores de Carícia
            Se o Sensor de Carícia estiver no nível baixo
                  Então, acionar o Algoritmo do Bem-estar

Agora, vamos um pouco mais longe. Olhemos o Algoritmo do Bem-estar.

            Ligar o Neurotransmissor de Dopamina
            Realizar leitura do Sensor do Bem-estar
            Se o Sensor do Bem-estar estiver abaixo do nível médio
                 Injetar Dopamina na corrente sanguínea
            Se o Sensor do Bem-estar estiver no nível Alto
            Desligar o Neurotransmissor da Dopamina

Note: estou afirmando que milhares de Algoritmos são executados sequencialmente no seu cérebro, a cada segundo, pois, o seu Software está analisando cada dado recebido dos sensores, gerando informação, analisando cada informação para acionar ou parar Algoritmos fazendo o seu corpo funcionar.

Isso nos dá uma ideia de quanto o corpo humano é complexo, não é?

Mas também nos diz algo novo: somos movidos a Algoritmos. 

A vida é uma sequência de Algoritmos sendo executados em todos os seres, não importa se em menor ou maior quantidade.

Se você tem fé, se acredita num ser superior, não importa qual a denominação, vai concordar comigo: Ele, esse ser superior, é um construtor de Algoritmos. 

Deus é um programador! E dos bons.

O que aprendemos aqui?

A vida acontece porque os Algoritmos existem. São eles os responsáveis por tudo que acontece em nosso planeta. Inclusive plantar trigo. (Achou que eu ia esquecer é? rsrs)

Aquele novo Algoritmo do trigo fez com que os ramos das espigas parassem de cair ao menor toque. 

Um dia, um certo homem passou pelo campo e, ao tocar num pé de trigo, percebeu algo diferente. Parou, chacoalhou a planta e nenhum trigo caiu. Ficou surpreso com aquilo e percebeu que vários espécimes ao redor tinham a mesma característica. Então, um Algoritmo em seu cérebro foi disparado.

Ele provou alguns grãos e percebeu que tinham o mesmo sabor. Arrancou os ramos com espigas daquele trigo silvestre, levou-os para sua caverna, triturou alguns grãos e fez pão, mas também guardou alguns grãos e os espalhou próximo a sua caverna. 

O trigo silvestre já não existe, foi sobrepujado por seu parente e, hoje, é o segundo vegetal mais populoso do planeta. Eficácia pura. Saiu de uma medíocre posição na escala populacional para o segundo lugar no pódio.

O que o trigo fez para mudar isso? Simples, escolheu o homem como o seu simbionte. 

Ao mudar o seu Algoritmo, o trigo, inteligentemente, atraiu o homem para uma espécie de simbiose profícua, gerando uma coevolução de ambos.

É claro, afirmar que o trigo é inteligente é apenas uma abstração. Eu gosto de pensar na inteligência das plantas. Perceba como as frutas se comportam. A planta encapsula sua semente num invólucro, capaz de sustentar a vida nos primeiros dias, até o bebê-planta ter raiz e ser capaz de sugar água e sais minerais da terra. Quantos Algoritmos precisaram ser executados nesse processo?

Há muitos Algoritmos sendo executados nas plantas, muitos. Mas não são os milhares que estão sendo executados no seu corpo nesse exato instante. Perceba como isso acontece; o seu sensor, visão, conhece todos estes sinais gráficos, alguns Algoritmos convertem-nos em informação para compreendê-los e, em seguida, outros Algoritmos vão se encarregar destas informações para você aprender. Tudo isso pode acontecer, enquanto você ouve uma música e reconhece o cantor, ou ainda ouve a voz de animal e identifica ser do cachorro do vizinho. Milhares e milhares de algoritmos sendo executados simultaneamente.

Somos uma “máquina” maravilhosa.

Muito bem, neste capítulo, concluímos a nossa jornada de compreender um pouco mais a inteligência natural, entendendo como os Algoritmos são importantes para a manutenção da vida. 

No próximo capítulo, vamos analisar como essa evolução acontece nas máquinas.

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