2019, o ano esquecido do Bolsonarismo

2019, o ano esquecido do Bolsonarismo

Toda vez que alguém relata todos os problemas do governo Bolsonaro, o Bolsonarismo saca algumas cartas na manga, como a pandemia de COVID-19 e a Guerra na Ucrânia, como se Bolsonaro não tivesse governado durante pouco mais de um ano antes do início da pandemia ou como se este período tivesse sido maravilhoso e um grande indicativo das maravilhas que viriam a acontecer.

Até parece que o preço da carne bovina não havia subido 50% entre setembro e dezembro de 2019. Como se, entre 2019 e o meio de 2020, Bolsonaro não tivesse tido três ministros da Educação diferentes e inúmeros problemas no primeiro ENEM sob seu governo. Como se já não tivéssemos perdido os bilhões disponíveis por meio do Fundo Amazônia.

2019 foi um ano horrível e isso era só uma pequena amostra dos anos tenebrosos que se seguiriam. A pandemia só deixou isso mais evidente, mas Bolsonaro não deixou de evidenciar o quanto não queria combatê-la, e o fez por uma razão óbvia: a continuidade da pandemia é a desculpa fácil para escamotear os problemas de seu governo.

Analisando os históricos do primeiro ano de governo dos presidentes desde o início da Nova República, fica claro que esse primeiro ano costuma não ser tão complicado, já que costuma ser um ano de extrema confiança e acaba gerando dados econômicos favoráveis. Particularmente, o governo Bolsonaro, de forma desarrazoada, contava com extrema confiança dos analistas econômicos.

O presidente anterior a Bolsonaro, Temer, governou sob fortes problemas econômicos decorrentes da crise política, iniciada em 2014, que acabou gerando uma crise econômica em 2015 e 2016. Não obstante, seu primeiro ano completo de governo (2017)  gerou um crescimento do PIB de 1,3% e seu segundo ano (2018) 1,8%.

Quanto a 2018, vale lembrar que ele estava impedido de fazer reformas constitucionais, por conta da aprovação da intervenção na Segurança Pública no estado do Rio de Janeiro.

O mesmo se deu quanto à inflação, já que concluiu seus dois anos completos de mandato com 2,95% (2017) e 3,75% (2018), ante 10,67% (2015) e 6,29% (2016).

Por último, ainda vale lembrar do dólar, que começou 2017 a R$3,2723, em 2018 estava a R$3,2691 e, um mês antes da eleição de 2018, estava em R$4,1347, terminando o ano em R$3,8742.

Comparando esses dados com o primeiro ano de Bolsonaro, sem ter sido afetado pela pandemia, contando com toda a confiança do setor privado e, mais importante, podendo fazer reformas constitucionais, o que Temer não pode fazer, vemos que o PIB teve crescimento de míseros 1,1%, a inflação teve alta de 4,31% e o dólar terminou o ano em R$4,0301.

Bolsonaro não conseguiu nem manter a tendência de queda do Dólar que se verificou durante os pouco mais de 2 anos de Temer à frente do Palácio do Planalto.

Isso tudo só evidencia o quão ruim é o governo Bolsonaro. Os números após a pandemia que atingiu todo o mundo nos permitem comparar os nossos resultados com o do resto do mundo, e, aí, fica ainda mais claro como o governo é realmente ruim.

O Brasil teve a terceira maior inflação do G20 em 2021, chegou a ser a moeda com maior desvalorização ante o dólar em 2022 e deve ter a 9ª maior taxa de desemprego do mundo em 2022.

Bolsonaro costuma chamar as medidas de afastamento social ocorridas no Brasil de lockdown mas, fora duas ou três cidades que, de fato, ficaram em lockdown, a única coisa que aconteceu foram medidas de isolamento, em alguns lugares um pouco mais rígidas, mas o Brasil, em nenhum momento (fora a ressalva já feita) teve lockdown, isso é um fato, não uma narrativa.

Mesmo assim, comparando os dados com outros países do Ocidente, vemos que nossas medidas de isolamento duraram muito menos que a dos demais. Inclusive, somos um dos países da América Latina com menor tempo de isolamento social.

Não a pandemia, nem a Guerra são desculpas, o governo Bolsonaro é péssimo e todos os dados deixam isso ainda mais claro.


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