Economia Criativa uma mola propulsora

Economia Criativa uma mola propulsora

Economia Criativa é o termo usado para identificar modelos de negócio ou gestão que se originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos que visam a geração de trabalho e renda.


 

Diferentemente da economia tradicional, de manufatura, agricultura e comércio, a economia criativa, essencialmente, foca no potencial individual ou coletivo para produzir bens e serviços criativos, Inclui, também, organizações e empresas que fornecem locais para os artistas compartilharem seu trabalho com o público, como museus, galerias de arte e teatros, um grande número de indústrias criativas está também relacionado direta ou indiretamente com o mercado imobiliário, como arquitetura, design de móveis e decoração, estão contidos nesse conceito o "design" de móveis, roupas e outros produtos e serviços que dependem de criatividade.

De acordo com as Nações Unidas, as atividades do setor estão baseadas no conhecimento e produzem bens tangíveis e intangíveis, intelectuais e artísticos, com conteúdo criativo e valor econômico.

Grande parte dessas atividades vem do setor de cultura, moda, design, música e artesanato. Outra parte é oriunda do setor de tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular. Também estão incluídas as atividades de televisão, rádio, cinema e fotografia, além da expansão dos diferentes usos da internet, desde as novas formas de comunicação até seu uso mercadológico.

Na Economia Criativa o  valor de mercado dos produtos e serviços cada vez mais é determinado por singularidade, desempenho e apelo estético. O talento comanda a economia criativa, porque traz vantagens competitivas para a indústria, o comércio e principalmente para as pessoas envolvidas..

A edição especial do Relatório de Economia Criativa 2013, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), destaca que a economia criativa se tornou em uma poderosa força transformadora no mundo de hoje, é um dos setores que está crescendo mais rápido no mundo econômico, não apenas em termos de geração de renda, mas também na criação de empregos e em ganhos nas exportações de vários países. Segundo a publicação, criatividade e inovação humana, tanto individual quanto em grupo, se tornaram a verdadeira riqueza das nações no século 21.

O Relatório de Economia Criativa 2013 informa que o comércio mundial de bens e serviços criativos totalizaram um recorde de US$ 624 bilhões em 2011 e mais do que duplicou entre 2002 e 2011. Além disso, nesse mesmo período, as exportações de produtos do segmento registraram aumento médio anual de 12,1% nos países em desenvolvimento.

Outro dado da publicação mostra que a contribuição de atividades culturais privadas e formais representa, em média, 5,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em 40 países pesquisados pela Unesco. Como exemplo, são citados países como Bósnia e Herzegovina, com contribuição da indústria criativa em 5,7% do PIB, Equador (5%), Argentina (3,5%) e Colômbia (3,4%).

Além dos benefícios econômicos, a economia criativa também contribui significativamente para o desenvolvimento social. Seu potencial para gerar bem-estar, autoestima e qualidade de vida em indivíduos e comunidades, por meio de atividades prazerosas e representativas das características de cada localidade, estimula o crescimento inclusivo e sustentável, defende a publicação.

No Brasil, a contribuição dos segmentos criativos foi de 2,7% do PIB em 2011, segundo estudo realizado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), em 2012. A instituição tomou como base a massa salarial gerada por empresas da indústria criativa naquele ano. O resultado coloca o Brasil entre os maiores produtores de criatividade do mundo, superando Espanha, Itália e Holanda. No entanto, há um longo caminho a ser percorrido para que o País alcance o patamar do Reino Unido, da França e dos Estados Unidos, onde a economia criativa é bastante expressiva.

O estudo da Firjan aponta ainda que o mercado formal de trabalho do setor é composto por 810 mil profissionais, o que representa 1,7% do total de trabalhadores brasileiros. O segmento que mais emprega mão de obra é o de Arquitetura e Engenharia, com 230 mil trabalhadores, seguidos de Publicidade e Design, que emprega 100 mil profissionais cada. A cadeia da moda também aparece em destaque no estudo, tendo em vista que responde por quase 30% da cadeia da indústria criativa, com 620 mil estabelecimentos no País.

Para se ter um ideia da dimensão que o novo setor vem tomando, só na região metropolitana de Nova York o setor da economia criativa gera 400 mil empregos diretos, que absorvem 5,4% de toda a massa salarial da cidade; na Europa, esse setor movimenta, anualmente, € 558 bilhões (4,4% do PIB europeu) e emprega oito milhões de trabalhadores, aproximadamente 4% de toda força de trabalho europeia. Segundo relatório da "Otis College of Art and Design", publicado em 2016, no condado de Los Angeles, considerados todos os salários pagos, 8% estão relacionados somente à economia criativa, gerando emprego direto para mais de 420 mil pessoas, e indireto para 325 mil. Ao todo, esses trabalhadores receberam, no ano, US$ 53 bilhões, período em que a indústria criativa gerou US$ 7,7 bilhões em impostos e taxas. E tem mais, de acordo com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a economia criativa emprega aproximadamente 30 milhões de pessoas no mundo, gerando quase US$ 2 trilhões em receitas, o equivalente a 3% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial.

As cidades são essenciais para a economia criativa global e para o agrupamento de talentos e indústrias, que podem potencializá-la. Em um momento de eleições municipais no País, está mais do que na hora de os candidatos a prefeito incluírem em seus programas de governo propostas para alavancar a economia criativa nas cidades brasileiras, estimular a economia criativa deve, portanto, ser um dos objetivos das cidades e também compromisso dos empresários. Para isso, e de acordo com recomendação do "European Creative Business Network", é necessário capacitar os empreendedores voltados à cultura e à criatividade nas áreas de produção e administração para atuarem como intermediários entre empresários, artistas, cientistas e cidadãos, e em sinergia com as instituições artísticas e culturais existentes. Considerando as dificuldades para o desenvolvimento dessas atividades, algumas estratégias de estímulo podem ajudar, como, por exemplo, autorizar o uso de espaços vagos na cidade para eventos artísticos temporários ou estabelecer incentivos para produções oriundas de incubadoras de atividades criativas, para que empresários ofereçam espaço gratuito para produções e desenvolvimento de atividades culturais e criativas.

A indústria cultural e criativa, por sua própria natureza, tem estado na vanguarda da inovação e das mudanças tecnológicas, e lideram a adaptação ao mundo digital. A era digital muda o mercado e os modelos de negócio em todos os setores, e não é diferente com as áreas de cultura e criatividade. Enquanto a indústria tecnológica investe no desenvolvimento de novas ferramentas digitais, o setor criativo precisa, de forma abrangente, aprender a utilizá-las. Portanto, é necessário criar programas de capacitação digital e de incentivo para os setores envolvidos na economia criativa.

A Economia Criativa oferece oportunidades para o crescimento das cidades, dos países e empresa. No caso das empresas, os produtos e serviços se assemelham cada vez mais, somente sobreviverão aquelas que forem respeitadas e desejadas pelas comunidades e consumidores. Daí a crescente importância estratégica da Responsabilidade Social Empresarial (RES). A Economia Criativa oferece enormes oportunidades nesta área e com um benefício extra: ao atuar com os negócios criativos trabalhamos simultaneamente o fator econômico e o fator de interação social, gerando mercado. Além disso, existe o enorme campo pouco explorado da “culturalização dos negócios”: como inovar produtos e serviços, ampliar mercado e fidelizar clientes através da incorporação de elementos culturais e criativos ao negócio. Por isso a Economia Criativa tem sido considerada a grande estratégia de desenvolvimento para o século XXI.

Publicado originalmente aqui.


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