A evolução das comunicações - benefício de todos?

A evolução das comunicações - benefício de todos?
Parque Água Branca, acervo particular

A Internet tem sua origem nos anos 60 do século XX nos EUA, numa demanda militar, e chega às universidades americanas como algo restrito a um grupo de engenheiros e cientistas, que trabalharam em conjunto num projeto denominado Arpanet[1].

O objetivo principal deste projeto era proporcionar um sistema de comunicação distribuído por computadores interligados, de maneira que, se houvesse interrupção em um ponto, os outros computadores manteriam a comunicação em razão do modelo de conexão onde todos estavam interligados na rede. Assim, ao falhar um servidor no caminho, o sistema buscava outra rota.

Antes da Internet como temos hoje, no celular, tablet, computador, smart tv entre outros dispositivos, já existiam alguns sistemas de conexão entre computadores, que utilizavam os sistemas de telefonia, através de conexões discadas. Um modem era o equipamento que utilizava a porta serial do computador para receber e transmitir dados, usando protocolos anteriores aos da Internet.

No início dos anos 70 do século passado, surgiram as bulletin board systems (BBS)[2], comunidades de usuários que, através de computadores, trocavam arquivos, mensagens e notícias. Essas comunidades se reuniam e trocavam também aplicativos, programas e códigos, e seus servidores eram administrados por um Operador do sistema (SysOp) que cadastrava os usuários e mantinha os servidores no ar.

No Brasil, essas comunidades funcionaram por um bom tempo também. Duas das mais famosas foram a Mandic[3] e o CanalVip[4], que tinham muitos usuários e colaboradores. O CanalVip tinha sua sede na cidade de São Paulo e, mensalmente, a comunidade marcava encontros entre os usuários para comer uma pizza.

Nessa época, também surgiu o Videotexto, um serviço interativo oferecido pelas empresas de telefonia. O Videotexto surgiu no Reino Unido na década de 70, com o nome de TeleTexto[5]. No Brasil, a Telebrás forneceu alguns serviços para os usuários, como fóruns de discussão, notícias, chats e até alguns serviços públicos. Depois, surgiu o número 1484, que oferecia serviços de consultas bancárias de alguns bancos.

No início dos anos 90 do século passado, os bancos brasileiros iniciam um processo de digitalização dos seus processos para o atendimento aos clientes, primeiro com o telefone analógico, através de atendentes de telemarketing, que forneciam os saldos para os clientes e agendavam alguns serviços bancários[6].

Junto com o atendimento telefônico realizado por bancos através de atendentes nos anos 90, fui convidado para construir um atendimento por computador aos clientes de um grande banco. Esse processo se assimilava a uma BBS, onde através de linhas discadas, conectadas a modens ligados através de placas multiseriais em computadores em rede local que se conectavam também aos sistemas dos bancos, eram oferecidos saldos e extratos.

Esse sistema cresceu e se tornou, primeiro, um banco eletrônico com uma agência remota, que iria fazer as solicitações que já chegavam pelo sistema de telefonia, através de formulários que eram preenchidos pelos atendentes com os pedidos dos clientes.

Mas, para que o sistema do atendimento por computador funcionasse, era necessário ensinar os clientes a fazer o acesso pelo aplicativo usando a linha discada, ligada num modem conectado na porta serial do computador, fazer um contrato do serviço remoto e instalar o aplicativo no computador dos usuários, além de criar a senha de acesso e a assinatura eletrônica.

Assim, nasceu uma equipe, primeiro em São Paulo, que foi apelidada de apóstolos. Eles foram treinados para fazer a parte de negócios e a parte técnica com a instalação e configuração do modem, computador e software personalizado.

O software era personalizado com o nome do cliente em um disquete flexível de 5,1/4, junto com um manual de instruções. Esse material era entregue pelo apóstolo ao cliente para operar com o banco remoto.

Naquele momento, alguns critérios de segurança já foram pensados, no lugar de informar a agência e conta ou algum documento do cliente, foi definido um nome de guerra ou apelido para identificar o usuário, como também foram criados critérios para as contas de pessoa jurídica que tinham no contrato mais de uma pessoa para assinar documentos. Assim, surgiu o conceito de dupla assinatura, o perfil de consulta e a assinatura não obrigatória.

Todos esses conceitos nasceram em 1991 e, até hoje, estão aí com suas melhorias mas, naquele momento, não existiam os golpes no volume que acontecem hoje.

Nada disso se compara a algo que existe atualmente. Em razão disto, temos gerações que, apesar de alfabetizados, não acompanharam essa evolução das comunicações, não dominam bem as tecnologias atuais, mas as utilizam ou são obrigados a utilizar em razão das regras de mercado e negócios existentes.  

Vamos aqui trazer semanalmente histórias dos meus trinta e cinco anos de atuação no desenvolvimento do sistema bancário brasileiro, e discutir soluções e práticas que ensinam e auxiliam as pessoas que não nasceram nesse mundo digital ou, até mesmo, aqueles que já são do mundo digital, mas negligenciam os cuidados necessários neste nosso mundo de hoje.  

Se deixei aqui algo não bem explicado ou que causou dúvidas, vou deixar aqui um e-mail específico para responder às mesmas: [email protected]

 


[1]  https://pt.wikipedia.org/wiki/ARPANET#Hist%C3%B3ria_da_ARPANET

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Bulletin_board_system

 

[3] https://www.mandic.com.br/empresa/historia/

 

[4] https://www.youtube.com/watch?v=wCQmEyn7Ky8

 

[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Teletexto#No_Brasil

 

[6] https://www.youtube.com/watch?v=ogZd3uZNyFw

 


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