O que não te contaram sobre Inteligência Artificial

O que não te contaram sobre Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial está evoluindo rápido. E ela pode ser um perigo, ou uma solução. E de maneiras diferentes do que o Sci-Fi te contou.


 

Fiquei por horas sentada aqui na frente desta tela pensando no que exatamente eu deveria falar sobre o assunto do momento: Inteligência Artificial. Não é um assunto novo, tem muita gente escrevendo por aí sobre isso. Porém, é um assunto vasto e um campo com muitos ramos.

Skynet? SkyNOT!

Bem, normalmente o que logo vem na cabeça da maioria das pessoas sobre I.A. é um robô matando pessoas, máquinas se revoltando contra humanos, criaturas cibernéticas criando suas próprias linguagens, andróides ganhando alma, e por aí vai. Mas a verdade é que existem níveis diferentes de I.A. e, por favor, não quero assustar ninguém, mas você já faz uso de I.A. em coisas simples do seu cotidiano, porém não percebe!

O reconhecimento facial, de iris e digital, que existem nos smartphones, foram desenvolvidos usando alguma técnica de I.A. Se você tem Netflix, Spotify ou outros aplicativos de streamings, também está fazendo uso indireto de I.A. Como você acha que eles te recomendam filmes e músicas? O mesmo serve para lojas virtuais como Amazon e Americanas, que ficam dando dicas de produtos.

Esses são alguns exemplos de aplicações I.A., que estão em um nível diferente daquele que normalmente vemos nos filmes. Para construir um robô totalmente autônomo é necessário uma equipe de pessoas capacitadas em diferentes áreas como neurociência, sociologia, matemática, robótica, engenharia, linguística, etc. Afinal, o robô não vai sair fazendo tudo sozinho. Ele tem de ser projetado, construído, programado e depois precisa aprender. Quem irá fazer tudo isso e ainda ensiná-lo? Sim, meus caros padawans, são os imperfeitos seres humanos.

Mas isto é o tipo de coisa que está muito longe da nossa realidade aqui no Brasil. Apesar de algumas pessoas acreditarem que nós realmente estamos em uma Matrix, acredito que ainda estamos muito longe de viver como os Jetsons.

I.A. no Brasil

Os exemplos que dei aqui basicamente usam dados para aprender sobre o domínio de aplicação. Aqui no Brasil é um dos tipos mais comuns de I.A. São, na verdade, aplicações de aprendizado de máquina. Se eu quero que meu sistema de vendas seja capaz de recomendar um produto que eu quero muito vender para os meus clientes, então meu sistema terá de aprender tudo sobre os clientes.

O sistema será alimentado com os dados dos clientes e tudo que fizerem será armazenado, isto é, os clientes serão monitorados, mapeados e tudo isso será convertido em dados. A partir dai, o sistema aprende sobre os clientes e recomenda o que for adequado pra cada um.

De uma maneira extremamente simplista, é mais ou menos assim que funciona o aprendizado de máquina. Não é exatamente um sistema operacional aprendendo sabe, mas sim um algoritmo rodando em um computador que é capaz de entender tudo isso, e devolver algo novo a partir do que ele aprendeu.

Ah! O algoritmo!!! Bem, existem inúmeros algoritmos de aprendizado de máquina por aí, mas não é meu objetivo aqui falar sobre eles.

Voltando lá nos dados, onde é que eles ficam guardados? Normalmente eles ficam em algum data center. Isto é, um monte de computadores guardam esse mundaréu de dados em algum lugar do mundo, bem protegido. Pois, afinal, as informações são vitais para esse sistema, elas não podem ser perdidas. Por conta disso, há várias cópias desses dados e, claro, se houver uma pane numa parte desse data center, ninguém terá que se preocupar.

Ok Cissa, isso ta ficando chato, nem parece que você tá falando de I.A. Eu achei que veríamos uma foto do Will Smith aqui detonando aquele robô lá naquele filme. Onde você quer chegar com toda essa lenga lenga?”


Bem, você pode dizer que viu uma foto do Will Smith numa moto naquele filme. (© 2004 Twentieth Century Fox. Todos os direitos reservados. Via IMDB)

Menos Will Smith, mais conta de luz

Calma, eu já vou dizer o que quero dizer. Não sei se vocês sabem mas, é preciso muito hardware para guardar e processar as bilhões de informações que são geradas todos os dias e que são usadas pelos sistemas. Os computadores nos data centers precisam ficar ligados, e resfriados (à ar condicionado) 24h por dia, 365 dias por ano, e pra não haver perigo de perda de informação, é preciso existir backup de tudo em outros computadores.

Imagine o tanto de energia elétrica que é necessária para manter tudo isso, e o quanto isso impacta o meio ambiente. Agora vamos tristemente nos lembrar de que em 2021 o Brasil está passando por uma crise hídrica, e que estamos tendo problemas no fornecimento e abastecimento de energia elétrica pelo país.

Quando não há fornecimento de energia elétrica para os data centers, eles tem de usar geradores, que normalmente são a diesel. Opa, peraí, diesel? Combustível Fóssil? Onde está a energia eólica e solar? Pois é, eu também queria saber! Vocês sabem? Me digam aí!

Além disso, algoritmos de aprendizado de máquina as vezes ficam meses rodando sem parar. Não seria ótimo se existisse um hardware que agilizasse esse processo para apenas alguns dias? Afinal, o mundo é imediatista né mesmo! Queremos resultados para antes de ontem!

Temos um problema aí. Os microprocessadores são construídos a partir do silício, que é um recurso natural. No entanto, os microprocessadores estão no seu limite com esse tipo de fabricação, e a indústria está em busca de uma alternativa. Está difícil deixar os computadores ainda mais rápidos com a tecnologia atual, e somente com uma nova forma de fabricação será possível obter microprocessadores mais rápidos. Quem sabe se com essa nova tecnologia a gente coloca pra rodar algum algoritmo hoje e consegue o resultado ontem? Hehehehehe.

I.A. já impacta a gente — e nem precisa de raios laser

Você já tinha parado para pensar nisso tudo? Que a I.A. tem um impacto na sociedade e que ela é uma faca de dois gumes muita gente já sabe. Porém, como vamos avançar até chegar no mundo dos Jetsons, ou parecido, ainda é um mistério pra todo mundo.

Além disso, ainda em 2021 não existe saneamento básico em inúmeras cidades brasileiras. Boa parte das pessoas de baixa e média renda estão mais preocupadas em ganhar dinheiro para viver o dia de hoje do que com o desenvolvimento de um robô.

Claro, a I.A. tem muita coisa boa para nos oferecer. Por exemplo, na área de saúde há muitos avanços significativos, que tem impacto direto na vida das pessoas, como diagnósticos de câncer mais precisos a partir da aplicação de técnicas de aprendizado de máquina.

Porém, as diferenças socioeconômicas, os problemas com o meio ambiente, energia elétrica, hardware — fora outras questões que eu não mencionei aqui pois não cabia na linha do texto — precisam ser levadas em conta nos projetos de I.A. Senão, temo que vamos evoluir de uma maneira desorganizada e desigual.

Concluo meu texto dizendo que I.A. é um assunto que não deve ser tratado isoladamente dos outros. Talvez eu nunca chegue a ver o mundo dos Jetsons, mas eu almejo ver um mundo que use a I.A. para ajudar a diminuir as desigualdades socioeconômicas. Uma época na qual a tecnologia, de alguma forma, ajude a manter vivo nosso meio ambiente, e que melhore a vida de todos os seres vivos neste planeta.

Imagem de Capa - Aideal Hwa - @aideal - via Unsplash


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