A importância da Hallyu – a onda coreana – para a cultura global

A importância da Hallyu – a onda coreana – para a cultura global

Grupo BTS - Imagem: HYBE

Você sabe o que significa Hallyu? Também conhecida como ‘onda coreana’, a palavra representa os investimentos econômicos que a Coreia do Sul tem feito na cultura do país ao longo das últimas décadas.  

É provável que você já tenha ouvido falar de K-pop e doramas, tenha usado um produto de beleza importado da Coreia do Sul ou assistido ao aclamado filme “Parasita”, ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2020. 

Esses, e outros movimentos, são resultado dos esforços do governo sul-coreano para sair da crise econômica nos anos 90. Impulsionar a cultura internacionalmente para atrair turistas e aquecer a produção interna foi a solução que, especialmente nos últimos anos, tem dado incríveis resultados para o país. 

“Mas quanto a Coreia do Sul investe nessa área?”, você pode estar se perguntando. Em 2019, foram mais de R$ 6 bilhões investidos pelo Departamento de K-pop. Em comparação, no mesmo período, o Brasil utilizou R$ 1, 98 bilhões do orçamento destinado para cultura, segundo o Portal de Transparência. 

Comparando as populações, a Coreia do Sul tem 51, 78 milhões de habitantes, enquanto o Brasil tem 212, 6 milhões. 

O retorno para a Coreia do Sul é de mais de R$ 26 bilhões ao ano, apenas com o K-pop. Em 2019, mais da metade dos turistas estrangeiros visitaram o país por causa da Hallyu, de acordo com uma pesquisa realizada pela Organização de Turismo da Coreia do Sul. 

Ainda que as vantagens para o desenvolvimento econômico da Coreia do Sul sejam claras, um “efeito colateral” tem impactado positivamente a cultura global e a percepção de muitos países ocidentais sobre a cultura asiática. 

Existe ignorância em relação a muitos aspectos da cultura coreana, ou asiática como um todo, especialmente quando se trata dos povos de cada país. É comum não saber diferenciar japoneses de chineses de coreanos.  

Infelizmente, há quem ainda tenha uma resistência a culturas que não são norte-americanas – que tradicionalmente dominam o meio artístico e cultural e definem o que é padrão. Mas podemos ver que os produtos e produções sul-coreanas fazem cada vez mais parte das vidas dos brasileiros. 

Dois exemplos disso é o sucesso dos dramas coreanos, ou doramas, na plataforma de streaming Netflix e dos grupos musicais de K-pop, como BTS e BLACKPINK. 

A Netflix investiu U$ 500 milhões em produções de Doramas e o Brasil é o terceiro país que mais consumiram as produções no streaming em 2020. Um grande destaque das produções sul-coreanas do streaming é a série “Round 6”, também conhecida como “Squid Game” (Jogo da Lula). 

O sucesso da série que apresenta um jogo de sobrevivência foi grandioso, e levou a produção à liderança do Top 10 em todos os 90 países com o serviço. Round 6 ultrapassou a série Bridgertown e se tornou a produção original da Netflix mais assistida na plataforma, com 111 milhões de acesso

Em agosto do ano passado (2020), o BTS bateu um recorde histórico e se tornou a primeira banda desde os Beatles a ter três álbuns no topo da Billboard em menos de um ano.  

Neste ano, os integrantes do grupo foram anunciados como embaixadores oficiais da Louis Vuitton. As roupas da grife usadas por eles no Grammy 2021 serão leiloadas por valores que podem chegar a R$ 276 mil. 

BLACKPINK, a maior banda feminina de K-pop, bateu recorde de bilheteria com o filme “BLACKPINK: The Movie”, lançado em agosto, com um total arrecadado até agora de US$ 4,8 milhões, cerca de R$ 25 milhões, em 100 países. 

Conheça a Coreia do Sul através da cultura 

Quando o assunto é cultura, não falamos apenas de produções audiovisuais e da indústria da música. Beleza, moda, culinária, tecnologia e idioma são importantes influenciadores dentro da inserção cultural em outros países. 

Os avanços da Coreia do Sul nas áreas de tecnologia e automóveis levou o país a se tornar uma grande potência internacional em outros segmentos, como a biomedicina e o setor farmacêutico. Mais uma vez, foi um esforço para impulsionar o crescimento da economia. 

Graças ao K-pop e os doramas, o idioma coreano se tornou a segunda língua que mais cresceu no Brasil, e a 7ª no mundo inteiro. A legião de fãs está ultrapassando as barreiras do idioma, motivados pela cultura e a possibilidade de viajar para o país. 

Veja o que mais você pode aprender sobre a Coreia do Sul para não ficar de fora da Hallyu: 

A beleza e moda coreana 

Os coreanos são culturalmente muito preocupados em ter uma pele saudável, e isso pode ser visto tanto na rotina meticulosa de 10 passos de cuidado, quanto nos avanços científicos na área ao longo das décadas. 

Conhecida como K-Beauty, a rotina de skincare coreana envolve cuidados com a pele e maquiagem – que é sempre mais leve e natural, usando menos produtos. Uma das marcas de cosméticos coreanos que faz sucesso no Brasil é a Missha, com mais de 100 pontos de venda em todo o país. 

No tapete vermelho do VMA 2021, Anitta usou com um vestido em preto e branco feito pela designer sul-coreana Miss Sohee exclusivamente para a cantora brasileira. A estilista de apenas 25 anos já vestiu artistas como Miley Cyrus e Cardi B. e suas criações fazem sucesso nas redes sociais, especialmente no Instagram. 

Anitta antes de se apresentar no VMA. Foto: Divulgação

Já no street style, a moda coreana é representada pela ousadia influenciada pelos anos 90, com muitas sobreposições, mas sem renunciar ao conforto. Sempre preocupados com a aparência, assim como nos cuidados com a beleza, os sul-coreanos se inspiram nos doramas e K-pop para se vestir. 

As mulheres são mais conservadoras e dificilmente usam decotes, mas gostam de deixar as pernas à mostra. A moda feminina pode ser diferenciada por dois estilos principais: as mencionadas “street styles” – que são mais casuais e urbanas -, e as “girlies” – que se vestem de forma romântica e fofa. 

Street Style x Girlie - Imagens: Pinterest

Conheça três perfis de fashionistas sul-coreanas para seguir no Instagram e se inspirar. 

@aimeesong  

Paris Fashion Week | Imagem: Aimee Song/Twitter

Com 6 milhões de seguidores, Aimee Song já é conhecida no mundo da moda. A influencer é nascida na Coreia do Sul e criada em Los Angeles, e seu estilo é uma perfeita combinação do ocidental com o asiático. 

@soojmooj  

Imagem: Abaca

Modelo com grande destaque na moda coreana, Soo Joo também foi criada na Califórnia e desfila para grandes grifes como Chanel. Ela demonstra ter muita influência do oriente no seu estilo, mas não deixa de misturar com a cultura ocidental.  

@chrisellelim

Imagem: thechrisellefactor.com

Chriselle representa a moda de luxo, com um estilo sofisticado, atemporal e elegante. Em seu site pessoal, compartilha dicas de lifestyle, moda e etiqueta.  

A gastronomia sul-coreana 

A comida coreana ganhou destaque negativo na mídia durante a Copa do Mundo de 2002 por ser relacionada ao consumo da carne de cachorro. Mas a verdade é que as novas gerações já abandonaram a prática há algum tempo. 

A culinária da Coreia do Sul cultiva o arroz há cerca de 3.500 anos e esse é um dos principais ingredientes usados na comida do país. Com o tempo, a pimenta se tornou uma das especiarias mais usadas gastronômicas locais.  

A comida típica sul-coreana é considerada como saudável, porque se baseia no uso de vegetais e as refeições são servidas em pequenas porções. O prato mais típico e famoso é o Kimchi, com sabor ácido e picante, e sempre presente nas refeições dos coreanos. 

Em 2016, o jovem brasileiro com ascendência sul-coreana, Paulo Shin, abriu o restaurante Komah na Barra Funda, em São Paulo. Ao longo do tempo, o estabelecimento ganhou prêmios desde “Melhor restaurante asiático” (Folha de S. Paulo 2018) ao “Chef revelação” (Veja Comer & Beber 2018/2019). Ainda em 2019, entrou para o Bib Gourmand do Guia Michelin, uma seleção de estabelecimentos com bom custo-benefício.  

“Hoje as pessoas falam kimchi antes de falar cachorro”, disse Shin em uma entrevista para a Gazeta do Povo. 

Onde você pode fazer uma imersão na cultura sul-coreana no Brasil 

Em São Paulo, uma grande comunidade de sul-coreanos escolheu o bairro do Bom Retiro como lar. A imigração começou oficialmente em 1963, e hoje estima-se que mais de 50 mil coreanos e descendentes vivam no Brasil, principalmente em São Paulo. 

O bairro concentra cafés, lojas, restaurantes e mercados que vendem comidas e diversas utilidades tradicionais coreanas. A diversidade étnica foi um dos motivos para a revista inglesa Time Out ter considerado o bairro mais cool do Brasil

Os doces coloridos são destaque nos comércios pelas ruas do bairro, que já foi considerado por João Dória, governador do estado, ser apelidado de ‘Little Seoul’ (Pequena Seoul). Para conhecer a história e cultura do país, uma boa dica é o Centro Cultural Hallyu, que promove diversas atividades, cursos e eventos. Hoje o Centro Cultural se encontra na Av. Paulista.

Fachada no novo prédio do Centro Cultural Coreano na Avenida Paulista, inaugurado em 2019. Foto: Divulgação

Na visão de quem está de fora de qualquer cultura, sempre vai existir alguns estereótipos. E a cultura sul-coreana não escapa disso. Mas o país está disposto a vencer os preconceitos e apresentar um novo e diferente padrão em todos os aspectos. Acredito que a maioria de nós agradece pelos esforços. 

 

 


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