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‘Turning Point’ da Netflix faz uma imersão nos eventos de 11/09 até a atualidade

‘Turning Point’ da Netflix faz uma imersão nos eventos de 11/09 até a atualidade

The National September 11 Memorial & Museum. Imagem: Anthony Fomin, cortesia de Unsplash.

“Uma manhã linda de terça-feira. O céu estava limpo e azul, sem uma única nuvem” é como Désirée Bouchat, ex-funcionária dos escritórios da torre sul do World Trade Center, começa a descrever o fatídico 11 de setembro de 2001. 

Por muito tempo, não havia notícia mais importante do que os ataques terroristas que estavam acontecendo nos Estados Unidos. Os eventos que ocorreram naquele dia dividiram a história contemporânea do mundo em dois períodos: antes e depois do 11/09. 

Você lembra onde estava naquela manhã?

Imagem: Jose Jimenez / Primera Hora / Getty Images 

“Turning Point: 9/11 and the War on Terror” vai te fazer recordar ou, talvez, conhecer a história por trás dos atentados e todo o rastro de destruição que culminaram nos 20 anos de Guerra ao Terror.

Disponível na Netflix, o documentário é dividido em 5 partes e tem direção do produtor e diretor Brian Knappenberger, responsável por outros documentários como “We Are Legion: The Story of Hacktivists” (2012) sobre a ideologia do grupo de hackers ativistas conhecido como Anonymous.

Apesar de não trazer nenhum fato novo ou desconhecido sobre esse longo período de atrocidades, a série documental reúne nomes de pessoas que ocuparam cargos importantes nos governos de Bush, Obama e Trump. Mas são os depoimentos de veteranos de guerra e sobreviventes que dão o tom e emocionam.

Os episódios mostram as perspectivas de ex-funcionários do governo, ex-membros da CIA, veteranos dos EUA, soldados do Exército Nacional do Afeganistão, comandantes do Talibã, funcionários do governo afegão, guerrilheiros e civis afegãos, além de sobreviventes.

Knappenberger cria uma atmosfera de série de true crime, com um documentário incisivo e de tirar o folego em diversos momentos. A narrativa é simples: cenas chocantes dos atentados e das guerras no Afeganistão e Iraque, com entrevistas comoventes que nos ajudam a fazer uma imersão na perspectiva de quem (sobre)viveu aos ataques.

No início do primeiro episódio, um aviso: Esta série contém imagens fortes que podem chocar alguns espectadores. E isso não foi um exagero.

Teria o governo americano ignorado os sinais de alerta?

O documentário cria uma timeline que nos leva de volta à invasão soviética no Afeganistão, em 1979. Algo que pode ter sido esquecido por alguns de nós foi o apoio dos Estados Unidos à resistência afegã, conhecida como mujahidin, durante a Guerra do Afeganistão.

Como consequência do apoio financeiro internacional, grupos de rebeldes islâmicos com ideias fundamentalistas se fortaleceram. Dos mujahidin surgiram dois dos segmentos terroristas mais conhecidos da história: a Al-Qaeda e o Taleban. Os Estados Unidos haviam criado seu próprio monstro

Os sinais de um possível ataque terrorista aos Estados Unidos estavam piscando em vermelho e o documentário deixa isso bem claro.

O governo dos Estados Unidos foi alertado diversas vezes ao longo dos anos após a Guerra do Afeganistão que a Al-Qaeda pretendia atacar o país, inclusive usando aviões. Estudos foram feitos sobre a ameaça crescente do terrorismo, e a CIA chegou a obter informações sobre uma reunião de membros suspeitos da Al Qaeda em Kuala Lumpur. 

E em julho de 2011, o agente do FBI Kenneth Williams alertou sobre homens do Oriente Médio, que poderiam estar ligados à Al-Qaeda, treinando em escolas de aviação em Phoenix, no Arizona. Na época, o diretor da CI, George Tenet, informou à conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice sobre a ameaça.

Ponto de Virada – EUA declaram Guerra ao Terror

“Turning Point” é uma expressão em inglês com muitas traduções, mas com o mesmo significado: o momento no tempo em que uma mudança decisiva acontece em uma determinada situação.

O que poderia ser mais definitivo do que o sequestro de quatro aviões? Dois colidiram em cada uma das Torres Gêmeas do World Trace Center – ícone da economia americana, um no Pentágono - símbolo do poderia militar dos EUA, e o malsucedido quarto avião em direção à Casa Branca, que caiu após confronto entre passageiros e os terroristas.

Naquela manhã, o então presidente norte-americano George W. Bush estava visitando uma escola, lendo livros para os estudantes da segunda série, quando o Chefe de Gabinete da Casa Branca, Andrew Card, sussurrou em seu ouvido: “Um segundo avião atingiu a segunda torre. América está sob ataque.”.

Presidente Bush ouve seu chefe de gabite dizer que um segundo ataque ocorreu. Imagem: Win McNamee | Reuters

A expressão facial de Bush foi eternizada em uma foto, onde ele demostra completo choque, porém de forma contida. O documentário mostra as filmagens da ocasião, o que dá ainda mais profundidade ao momento e nos faz refletir sobre o que se passava pela mente do presidente naqueles segundos intermináveis.

Às 9h59 daquele dia, a torre sul desabou. A torre norte caiu em menos de meia hora depois. Quase 3 mil pessoas perderam suas vidas por causa dos ataques terroristas. Entre as vítimas, estavam funcionários dos prédios, socorristas e membros do Corpo de Bombeiros.

Segunda colisão na torre sul, enquanto uma espessa fumaça preta sai da torre norte. Imagem: Robert Clark / Associated Press

Em um comunicado aos estadunidenses, Bush declarou guerra. “Hoje somos um país despertado para o perigo e chamado a defender a liberdade. Nossa dor se transformou em raiva e a raiva em resolução. Quer levemos nossos inimigos à justiça, ou façamos justiça aos nossos inimigos, a justiça será feita.”.

A histórica caçada à Osama Bin Laden

Osama Bin Laden foi o protagonista da, possivelmente, maior caçada na história.

Os americanos queriam vingança. O mundo esperava por uma ofensiva dos Estados Unidos e, nesse ponto, muitos apoiavam a invasão ao Afeganistão na procura do idealizador dos ataques de 11/09 e líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden.

Mas o governo americano ordenou que seu exército se deslocasse para o Iraque, sob o pretexto de que o país possuía armas de destruição em massa, e a luta se transformou em algo como “matar ou morrer”. 

Os depoimentos no documentário sobre a Guerra no Iraque deixam claro que os soldados americanos não faziam mais ideia de qual era a missão no país, logo que foi atestado rapidamente que não existiam armas de destruição em massa. 

Cada dia de trabalho encerrado era mais um dia de vida. O apoio interno que o governo antes tinha se transformou em questionamentos sobre a necessidade daquela guerra e na revolta dos americanos que sofriam com as perdas cada vez mais frequentes dos soldados.

Cerca de 50 mil protestantes anti-guerra marcham nas ruas de Washington, DC. Imagem: Tom Mihalek/AFP/Getty Images

No dia 02 de maio de 2011, dez anos após os atentados às Torres Gêmeas, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama anunciou a morte de Osama Bin Laden durante uma operação realizada na cidade de Abbottabad, localizada próxima a Islamabad, capital do Paquistão.

Registro do local onde Bin Laden foi encontrado. Imagem: Wikimedia Commons

O documentário mostra imagens de centenas, senão milhares, de americanos comemoram a conquista em frente à Casa Branca e nas ruas de Washington imediatamente depois do pronunciamento. “God bless America”, eles cantam. 

As tropas americanas permaneceram no território por quase outros 10 anos até que o governo de Donald Trump assinou em Doha o “Acordo Para Trazer a Paz ao Afeganistão”, em fevereiro de 2020, o que previa a retirada do exército americano do país.“O povo americano está cansado de guerras sem vitória.”, disse Trump.

Imagem: Hubert Delaney Iii/US Department of Defense/AFP via Getty Images

Especialistas acreditam o acordo possibilitou o retorno do Taleban ao país. Para o ex-embaixador do Paquistão nos Estados Unidos, Husain Haqqani, “Aquilo não foi um acordo de paz, foi uma rendição.” 

A dura realidade das consequências do Acordo de Doha

Chegamos ao 5º e último episódio, intitulado “Cemitério de Impérios”, onde fica ainda mais difícil conter as lágrimas. Biden concluiu a retirada das tropas americanas do Afeganistão, e o documentário apresenta imagens do grupo extremista Taleban retornando à Cabul. 

Enquanto isso, alterna com vídeos de mulheres afegãs sendo punidas com pauladas, punição típica na cultura de acordo com versão da lei Sharia adotada pelo Taleban. A lei também impedia que meninas e mulheres recebessem educação ou trabalhassem.

As maiores preocupação com o retorno do Taliban ao poder são as ações de vingança contra aqueles que apoiaram a presença dos EUA, além de atentados contra os Direitos Humanos, principalmente das mulheres afegãs.

Nesse momento, os fatos são recentes. O que esperar do governo de um grupo que foi forjado no ódio e alimentado com armas e destruição? Os Estados Unidos derrotaram os seus inimigos ou criaram mais deles?

“Espero que o que não nos esqueçamos do 11 de setembro é de como nosso país tentou se unir para ajudar uns aos outros [...] Nós não devemos pensar que o ódio é uma boa resposta. Apenas o amor é.” – Brenda Berkman, Capitã aposentada do Corpo de Bombeiros da cidade de Nova York.

Brenda Berkman também é uma bombeira pioneira. Ela foi a única demandante de classe nomeada no processo federal de discriminação sexual que abriu o Corpo de Bombeiros da cidade de Nova York para bombeiros. Depois que ela ganhou o processo em 1982, ela e 40 outras mulheres se tornaram bombeiros do FDNY.

“Turning Point: 9/11 and the War on Terror” está disponível no Brasil pela Netflix.
 

 


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