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Oscar 2021 - Reações, surpresas e previsões

Oscar 2021 - Reações, surpresas e previsões

Bem cedinho, na manhã do dia 15 de março de 2021, o casal formado pela atriz e produtora Priyanka Chopra Jonas e o músico e ator Nick Jonas apareceram para revelar a lista de indicados à premiação do Oscar de 2021.

Os indicados ao prêmio sempre são um termômetro muito interessante sobre a indústria de cinema norte-americana. O conjunto de indicações mostra bem alguns pontos onde a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas - e em uma intensidade menor, a própria cultura popular estadunidense - já avançou, quer avançar e ainda precisa repensar. Sem falar, é claro, de todo o Cinema envolvido. 

Para muitos, a aposta de que Mank sairia na frente era segura. Um filme sobre Hollywood, de época, estrelando um medalhão do cinema como Gary Oldman, dirigido por David Fincher, um dos grandes nomes da indústria?

Mas apesar de liderar o número de indicações - e de ser um filme excelente - poucas vezes um filme tão “a cara do Oscar” esteve tão fraco na disputa. De suas 10 indicações, os prêmios que tem mais chances de ganhar são os de Fotografia, para Erik Messerschmidt, e atriz coadjuvante, para Amanda Seyfried.

 

Frances McDormand em Nomadland (Divulgação)

O grande favorito, depois de colecionar prêmios ao redor do mundo, é mesmo Nomadland. Um filme que fala de lutas e dramas do povo americano de uma forma artística e intimista, especialmente neste nível de qualidade, nunca seria deixado de fora. É dirigido por Chloé Zhao, a favorita da noite ao prêmio de direção.

Seria somente a segunda vez na história que uma mulher ganha o prêmio, e somente a sexta em que uma mulher é indicada. Porém, este ano também tem ainda outra na categoria, Emerald Fennel, por seu trabalho no bombástico Bela Vingança

O Oscar não consegue nunca agradar a todos, o que é de se esperar. Não se esperava, porém, um esquecimento quase completo de Spike Lee e o fantástico Destacamento Blood. Contendo não só uma das últimas (e brilhantes) atuações de Chadwick Boseman (que está indicado pelo trabalho em A Voz Suprema do Blues), mas uma performance poderosa de Delroy Lindo, que também merecia uma indicação.

Riz Ahmed em O Som do Silêncio (Divulgação)

Embora a categoria de melhor ator esteja recheada de acertos e novidades. Não só o primeiro ator muçulmano a ser indicado, Riz Ahmed, do poderoso O Som do Silêncio, como o primeiro ator asiatico-americano com Steve Yuen, de Minari. Yuen, inclusive, que seguiu seu sucesso em The Walking Dead com projetos não só em sua língua nativa, o coreano, mas muito rebuscados e interessantes, como em seu papel enigmático de Em Chamas

Parasita, o ápice da revolução cinematográfica coreana, grande vencedor da edição passada do Oscar, continua a deixar sua sombra bem à vista.

Em mais um ano seguido vemos um diretor de um filme estrangeiro ser indicado à categoria, o dinamarquês Thomas Vinterberg, que tem poucas chances de levar o prêmio, mas todas as chances de levar o de filme estrangeiro. Seu filme, Druk - Mais Uma Rodada, é o grande querido da categoria, e de um monte de gente também.

Uma Noite em Miami (Divulgação)

Um destaque extra vale para Leslie Odom Jr.. Discutivelmente o melhor ator da produção original de Hamilton, está indicado duplamente por Uma Noite em Miami. Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Canção Original. Válido mencionar também um sincero protesto por Regina King não estar contemplada na categoria de direção pelo seu trabalho muito elogiado no filme.

Também indicada a dois prêmios, mas na mesma categoria, está a dupla Trent Reznor e Atticus Ross, pelas trilhas de Mank e de Soul (onde compartilham a indicação com o jazzista Jon Batiste. Novamente mostra o azar de Mank: o trabalho dos dois é excelente no filme, mas contra Soul não há o que discutir.  

Maria Bakalova, de Borat: Fita de Cinema Seguinte é uma das favoritas para ganhar o prêmio de atriz coadjuvante, o que não diminui a surpresa pelo filme estar concorrendo na categoria de Melhor Roteiro Original. Não foi dessa vez que Sacha Baron Cohen tem seu repórter casaque sendo laureado, mas ele também foi indicado por seu papel em Os Sete de Chicago.

E, finalmente, é muito interessante vermos uma premiação tão popular e tão acessível (embora não tão relevante ultimamente) como o Oscar se organizar, tentar sobreviver aos tempos de COVID-19, se adequar melhor ao avanço do mundo à sua volta.

Daniel Kaluuya em Judas e o Messias Negro (Divulgação)

Ainda assim, é difícil explicar como que Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield, ambos de Judas e o Messias Negro estão indicados ambos ao prêmio de Ator Coadjuvante, nenhum dos dois como ator principal. É uma escolha bastante estranha por parte da Academia, que pode selecionar quem concorre ao quê. 

Em abril vamos descobrir como é que o homenzinho dourado vai se comportar com todo esse distanciamento social.

Imagem da capa: Divulgação

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