A Prensa foi feita para os ávidos e inconformados.

LOKI - Somos todos vilões aqui

LOKI - Somos todos vilões aqui

O final da temporada mostra o que a Marvel faz de melhor - trazer mais perguntas do que respostas e deixar o público e os personagens ancorados na próxima atração.


 

[SPOILERS de Loki]

Dessa vez, o pessoal do “Aquele gato é o Mephisto!” estava certo. 

Depois de um começo de temporada divertido, mesmo que inconstante, a variante mais carismática do vilão mais cativante do MCU encontrou um fim para muitas de suas dúvidas. E um novo início para uma confusão literalmente infinita. 

Loki é, de longe, a história mais insana do MCU. Abraçar o absurdo, e até a cafonice, de quase um século de quadrinhos fez a série melhorar e testar os limites de sua audiência. Embora, convenhamos, desde que Guardiões da Galáxia se transformou num sucesso com um guaxinim e uma planta, a linha já havia sido ultrapassada.

Eu aceito uma trilogia com este sujeito (Imagem - Divulgação/Disney)

Mas os extremos não ficam exatamente em seus cantos. Após a mais gloriosa cena de todos os anos de MCU (Loki conhece suas variantes), o deus da trapaça, cheio de dúvidas, pergunta para o Kid Loki (Jack Veal) o que ele fez para chegar ali.

“Eu matei o Thor”. 

É um pingo de peso e temor no meio de uma avalanche de piadas, referências (tem um HELICÓPTERO DO THANOS ali do lado) e falta de sentido. Richard E. Grant, numa participação excepcional, interpreta uma versão de Loki que conseguiu vencer na vida. E nem a paz e o sossego foram capazes de lhe trazer paz. O que trouxeram foi, pelo menos, uma indumentária que fez o fã clássico aplaudir de pé. 

A segunda das maiores surpresas da série é fazer uso da ótima Sophie Di Martino, como Sylvie, para dar a Loki o que ele nunca precisou: um romance. É em parte tirar o pé do acelerador, depois da revelação que Loki é bissexual? É. Mas a química entre os dois e a entrega de Di Martino faz a gente torcer para um retorno dela ao MCU. 

A maior das surpresas, no entanto, é ao mesmo tempo um presente e uma pequena decepção. Ali, no limiar da loucura interdimensional, as cortinas se abrem para revelar quem é o verdadeiro mágico de Oz. 

“Somos todos vilões aqui”

E quem aparece é… O cara do Lovecraft Country??

Jonathan Majors, vestindo um robe roxo, aparece para roubar a cena, e sai fazendo moonwalk. Há pouco, ele havia sido revelado como intérprete de Kang, clássico vilão cósmico da Marvel. E muitos diziam que ele seria o novo Thanos, o vilão multi-filmes que vai dar dor de cabeça aos heróis.

Este Willy Wonka das galáxias, aqui chamado de “Aquele que Permanece”, explica que uma guerra entre realidades aconteceu porque inúmeras variantes dele mesmo são “meio avessas ao diálogo”. Mas as falcatruas temporais dele não o salvam da fúria de Sylvie. 

 

É bem legal ver o Jonathan Majors se divertindo. (Imagem - Divulgação/Disney)

A variante vingativa então dá início ao “Multiverso da Loucura”, e não existe como prever o que vai sair disso.

De um lado, o fã está contente. É um final intrigante, amalucado, cheio de possibilidades e com a introdução de um grande ator que promete criar um personagem talvez até mais memorável que o Titã Louco.

Por outro lado…

Na última hora de seriado, Loki deixou de lado o arco de seu protagonista para focar em “construir os próximos filmes e séries”. E já estamos carecas de saber o quanto isso é negativo. 

A trajetória de Loki fecha o ciclo. Especialmente com a traição, sua busca (por um propósito glorioso ou pela verdade) e até mesmo sua indagação filosófica - sou dono do meu destino? - terminarem num mar de decepção. Cada uma dessas respostas deixam Loki ainda mais na fossa. 

Mas não há como negar: isso é jogado de escanteio ali no final, ainda mais com Majors devorando o cenário. O brilho de Tom Hiddleston e o peso de sua saga ainda funcionam, mas é feito de coadjuvante. É diferente do final de Wandavision ou até mesmo do de Falcão e o Soldado Invernal.

Nestas séries, apesar de cada uma, à sua forma, criar mais degraus para a Marvel continuar subindo, o drama central dos personagens ainda é… bem, Central. Até o último momento.

Que a série Loki tinha uma responsabilidade um pouco maior, por conta de todos os filmes que vão precisar desse “salto multiverso” para funcionar, não há como negar. E tudo bem: viemos ver Loki para ver insanidades do espaço tempo.

Mas nós ficamos por conta do coração do asgardiano* travesso. Do romance mais existencialmente esquisito de todos os tempos. Da amizade com o Mobius de Owen Wilson, que só queria passear de jet ski. Do medo que a Sra. Minutos causa na gente. De como Wunmi Mosaku pode fazer uma personagem sem nome ser memorável.

Nos resta aguardar a tonelada de loucura que vai sair disso, assim como a temporada 2. 

Talvez não vejamos mais o fabuloso Loki de Richard E. Grant. Mas eu quero aquele CrocoLoki num filme do Taika Waititi.

Imagem de capa e imagem acima - Divulgação/Disney

Topo