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A linguagem universal é a música

A linguagem universal é a música

É clichê dizer que a música é a linguagem universal. Mas você já parou para refletir como a música está presente em diversos momentos da sua vida? Antes de pronunciarmos a primeira palavra, já nos conectamos através de sons e até arriscamos danças quando ouvimos algo. 

Não existe dúvida de que canções fazem milagres para a alma e provocam as mais variáveis emoções. Quando estamos tristes acabamos por nos conectar com músicas mais lentas, quando se está praticando algum exercício damos preferência para músicas agitadas, e assim segue o curso da vida.  

Para a ciência, a música é capaz de causar tantos impactos positivos que é difícil encontrar outra atividade intelectual que possua um efeito tão amplo na nossa massa cinzenta.  

Com a percepção de bons resultados, psiquiatras começaram a estudar os motivos por trás dos efeitos da música na nossa psique. Surgiu então um novo método de tratamento, a musicoterapia. 

De acordo com o site Psicologia Viva, “Musicoterapia, é uma forma de tratar os pacientes através da música. É uma técnica que trabalha com a saúde ao utilizar formas diversas de aprendizado, expressões e arte. A música faz com que sintamos emoções positivas ou negativas. Ela evoca emoções que são ativadas em partes e áreas de nosso cérebro. Essas áreas são mais desenvolvidas e ativadas positivamente ao serem trabalhadas com a música. Melhora o humor, a atenção, concentração, a memória e lembranças profundas.” 

O tratamento da musicoterapia é aplicado por um terapeuta que passa a estudar os ritmos e sons que possam trazer bem estar para o paciente. Em alguns casos, é passada uma espécie de receita médica com as instruções para aplicação do tratamento pelo próprio paciente. 

Com a evolução dos estudos sobre a relevância da música como ferramenta de apoio a tratamentos como depressão, ansiedade e AVC, descobriu-se a aplicação no tratamento de pessoas com Transtornos do espectro autista (TEA). 

A desinformação sobre o assunto e diversos mitos sobre o TEA o cercam de preconceitos injustificáveis.  

O Transtorno do espectro autista era chamado de Síndrome de Asperger. A mudança de nomenclatura ocorreu após maio de 2013. A 5ª edição do manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5) definia que a Síndrome de Asperger era uma condição relacionada, mas diferente do autismo. 

Hoje, o TEA substitui tanto o nome “Síndrome de Asperger” quanto o termo autismo. A nova definição trata os antigos distúrbios, que antes eram vistos separadamente, como uma continuidade do TEA. Dessa forma o transtorno é identificado de acordo com os níveis de funcionalidade: leve, moderado e severo. 

O pediatra e neurologista Clay Brites, em entrevista cedida à Agência Brasil, explica que o transtorno atinge 1% das crianças no mundo e leva a prejuízos na percepção e na capacidade de interação social adequada.  

Isso faz com que a pessoa com autismo perca boa parte da capacidade de interagir socialmente de forma construtiva, coerente, com reciprocidade, atenção concentrada e compartilhada. O autismo também leva a pessoa a comportamentos repetitivos voltados a interesses, pessoas específicas e atividades. 

Entretanto, todos esses comportamentos podem ser atenuados com terapias comportamentais, de linguagem. Dentre essas terapias podemos nos aprofundar sobre os efeitos da musicoterapia para pessoas com TEA.  

Segundo o Professor Gustavo Schulz Gattino, em uma entrevista cedida para o Inspirados pelo Autismo, em relação à música, as pessoas com o espectro tendem a apresentar uma capacidade intacta para percepção de melodias simples e um desempenho superior a indivíduos com desenvolvimento típico para processar elementos locais melódicos. 

Nas últimas décadas, estudos em neurociências têm demonstrado que a música instrumental e as canções são estudos para as emoções. Avaliações notaram que existe a ativação em regiões do corpo como a amígdala, hipocampo, no giro hipocampal, na ínsula, no o lobo temporal e no estriato ventral, dentre outras regiões do cérebro. 

A ferramenta musical aplicada para pessoas com autismo é diferente da canção que ouvimos diariamente. A ideia é que a estética e as vozes fiquem em segundo plano e, que o foco seja voltado para ritmo, timbre, melodia e harmonia.  

A partir disso o terapeuta pode escolher se trabalha de forma ativa ou passiva com a música e sua construção. Os resultados do tratamento implicam em melhora na comunicação não verbal, na expressão de sentimentos e no incentivo a participação em determinadas situações.  

A linguagem universal é a compreensão da melodia  

A pessoa diagnosticada com autismo sofre diariamente com o peso de falas que os tacha como incapazes. O TEA não é um transtorno fácil de lidar, e até parentes mais próximos têm dificuldade de compreender a mente do autista.  

Cada dia é vivido de uma maneira diferente, imprevistos acontecem e a inconstância de algo parece ser a única certeza diária.  

Estudos e relatos de pessoas autistas nos provam constantemente que eles são capazes de superar as dificuldades, compensar e administrar muitos dos aspectos desafiadores do transtorno. Mesmo que leve mais tempo do que leva para outras pessoas.  

O processo é lento, mas é quase como um compositor ou um musicista cuidadosamente encaixando nota por nota, até encontrar a melodia perfeita.  

A pessoa autista não pode ser resumida unicamente pelo transtorno. E é um erro nosso assumir que sim. O transtorno é somente uma parte do que um indivíduo pode ser. Todas as outras pessoas são compostas por desejos, manias, gostos e limitações. Todos somos a soma de nossas partes. 

A individualidade do autista não é tão diferente quanto a de uma pessoa que não apresenta o quadro de TEA. O que os fazem tão especiais é sua forma de reagir e lidar com mundo.  

Falta sensibilidade com o próximo e reciprocidade para compreender os pensamentos da melhor forma, mas, não no seu ponto de vista, mas no do outro.  

Precisamos entender que os sentidos de alguém com TEA estão desordenados. Que o autista pensa de forma concreta, temos que ouvir todas as maneiras pelas quais o autista se comunica, ajude-o a interagir socialmente, e focar naquilo que ele consegue fazer e.  Se for alguém próximo de nós, temos que amar incondicionalmente. 

Da mesma forma como amamos nossa música preferida. 

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