Cem anos de Piazzolla

Cem anos de Piazzolla

Há quase trinta anos, o bandoneón, conhecido no Brasil como acordeón, perdia seu fiel companheiro: Astor Piazzolla. No mês de seu centenário, o músico, compositor e arranjador recebeu um tributo que ocupou metade de uma página do Jornal Folha de S. Paulo.

Nascido na Argentina, mas filho de imigrantes italianos, Piazzolla também foi lembrado por veículos do mundo inteiro como jornal The Guardian, El País e a CNN espanhola. Quem vê tantas homenagens ao músico não acredita que este só alcançou o reconhecido nos seus últimos anos de vida.

Em entrevista ao jornal El País, Laura Escalada, sua viúva, afirma que Piazzolla não era um homem muito doce e terno. “Acontece que todos temos um caráter áspero quando apanhamos”, afirma ela. Astor ficou conhecido na Argentina como “assassino”, pois ousou mexer exatamente na galinha de ovos dourados: o tango.

Certa vez, o mestre do bandoneón disse: “Em meu país, se trocam os presidentes e não dizem nada. Trocam os bispos, os cardeais, os jogadores de futebol, qualquer coisa. Mas não se pode mexer com o tango. O tango deve ser deixado assim como é: chato, igual, repetitivo”.

A viúva de Astor Piazzolla, Laura Escalada, e o neto do músico, Daniel Villaflor Piazzolla, na casa da família em Buenos Aires. FOTO: Enrique Garcia Medina/El País

Mesmo colecionando críticas ao seu trabalho, em 1969 compôs um grande sucesso, a “Balada para un Loco” que explodiu na voz de sua ex-mulher Amelita Baltar. Alguns anos mais tarde, Piazzolla lançou “Libertango” e reinventava em definitivo a música popular de Buenos Aires.

Maria Suzana Azzi, autora de sua biografia, conta que “Piazzolla é o produto de uma tradição e a ruptura dessa mesma tradição. Ele rompeu os paradigmas do tango”. No entanto, a mesma terra que o rotulou como assassino do tango, herege e ousado, organizou uma homenagem em razão de seu centenário.

Um dos mais importantes teatros da Argentina, o Vetusto Teatro Colón de Buenos Aires, organizou apresentações no mês do centenário. Em detrimento da pandemia, as apresentações ocorrem on-line, começando no dia 5 de março e terminando no dia 20. O neto do músico, Daniel Piazzolla, integrou a curadoria do evento.

Como escreveu Irineu Franco Perpetuo em sua análise e homenagem ao centenário de Piazzola na Folha de S. Paulo, “tanto em versões originais, como em transcrições, a música de Piazzolla se tornou presente em salas de concerto de todo o planeta”. Um dia, quem tanto torceu o nariz para as mudanças, hoje dança alegre ao som do bandoneón de Piazzolla, gritando viva ao herói – e não assassino – do tango.

 

Imagem de capa: Piazzola Music Competition/The Stard


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