Um convite à reflexão: mas e as bibliotecas?

Um convite à reflexão: mas e as bibliotecas?

Imagem: The Library of Palais Dumba, 1877 – Rudolf Von Alt 

Pequenas, grandes, de escola ou municipais, todo mundo já foi a uma biblioteca pelo menos uma vez na vida. É um lugar mágico, cheio de prateleiras recheadas de livros dos mais variado gêneros e áreas, com um cheiro característico, um silêncio que acalma e conforta a alma.

Entretanto, a falta de interesse por esses locais e de busca por livros faz com que os acervos se tornem cada vez mais escassos e, dependendo do caso, pode levar até ao fechamento do local.  

Mas por que falar disso, afinal? 

Bibliotecas funcionam não apenas como um lugar cheio de livros, atendentes lendo quietas e mandando você fazer silêncio. Na verdade, elas funcionam como um polo cultural por muitas vezes.

Em pequenos bairros e comunidades, as bibliotecas abarcam eventos culturais voltados ao público infantojuvenil, sarais, exposições e, até mesmo, lançamentos de livros de pequenos autores.

É um ponto não apenas importante, mas essencial para o desenvolvimento cultural do local onde ela está, e seu fechamento e/ou sucateamento faz com que milhares de pessoas percam a oportunidade de entrarem em contato com eventos culturais e literários diversos. 

Em 4 de agosto de 2019, o site Construir Resistência noticiou que o desmonte da Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato estava sendo estudado pela prefeitura de São Paulo, comandada na época pelo empresário Ricardo Nunes. A biblioteca, fundada em 1930, é um dos principais acervos de literatura infanto-juvenil do país, e é visitada anualmente por milhares de escolas.

Em 27 de setembro de 2019, o site do jornal Folha noticiou que as bibliotecas públicas do Brasil são insuficientes e mal distribuídas. Segundo a matéria, ao todo são 6.057 unidades espalhadas pelo país, uma para cada 34,5 mil habitantes, sendo que mais de um terço delas se concentra no Sudeste, de acordo com os dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, de 2015. 

As notícias sobre o sucateamento e desvalorização das bibliotecas não é de hoje, e este acontecimento só transparece ainda mais a falta de interesse político em distribuir cultura pelo país. Anualmente, milhares de bibliotecas públicas e escolares correm risco de serem fechadas por falta de verba e de infraestrutura.

Mas por que isso acontece, afinal? As prefeituras e o governo federal não possuem dinheiro para investir nisso de maneira decente? 

A resposta para é simples: Possuem, mas não há interesse.

Bibliotecas fazem com que a cultura seja distribuída, incentivam a inserção social, a produção e consumo de cultura. Ou seja, elas incentivam as pessoas a terem senso crítico, a pensarem através da cultura um mundo diferente, a criticarem os esquemas sociais e a agirem contra intransigências políticas.

O acesso à cultura nos mostra que é possível, sim, pensar um mundo melhor e agir para que ele um dia seja real, para que não aceitemos mais as injustiças sociais e políticas que presenciamos diariamente, e, como bem sabemos, esse não é o objetivo do nosso governo. 

O que fazer para isso mudar? 

De fato, nós, enquanto meros habitantes, achamos que não temos o poder de fazer algo para que isso mude, mas a verdade é que as nossas possibilidades de ação direta quanto a isso são infindáveis. Projetos como o “Bienal da Quebrada” provam que todo cidadão consegue se organizar para que a cultura comece a se movimentar melhor.

Sarais públicos, doação de livros usados e parados, sebos, incentivar a produção de pequenos autores nacionais comprando e divulgando seus livros, frequentar mais bibliotecas, divulgar em qual biblioteca você encontrou algum livro muito procurado ou caro…

São muitas as possibilidades que podem nos ajudar a promover as bibliotecas e o acesso à cultura, e é essencial que comecemos para ontem essa ação, antes que percamos grandes acervos em boas bibliotecas e, com isso, um ponto essencial de acesso cultural. 


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