Por que o Batman dá tão certo?

Por que o Batman dá tão certo?

Poster do filme The Batman produzido pela Warner Bros (Imagem - Divulgação - The Batman/Warner Bros/DC Comics/Divulgação - via imdb.com)

Nenhum herói consegue se reinventar tantas vezes e ainda assim continuar atraindo o público como o Batman. Logo me vem a imagem do Homem-Aranha, entretanto, ninguém possui mais clássicos nos quadrinhos do que o Cavaleiro da Trevas.

Além disso, a série Arkham é considerada a melhor adaptação de um personagem dos gibis (serviu de base para outros jogos) e os filmes protagonizados pelo Homem-Morcego sempre geram um frenesi na internet. Por que isso acontece?

Nas histórias dos heróis, principalmente aquelas contadas em uma tela de cinema, há um vilão para ser derrotado e algo ou alguém para ser salvo. Esta é uma premissa básica usada para dar início a um enredo sobre amadurecimento, crescimento, arrependimento… e diversos outros temas. Com os filmes do Batman não é diferente, porém, existe um tema recorrente que se conecta facilmente com a sociedade moderna.

Arquétipo da frustração

Bruce Wayne coloca a máscara e veste a capa por diversos motivos. Posso citar vários deles e não posso esquecer de mencionar a frustração. The Batman, o novo sucesso, fala sobre a frustração de um homem que não consegue mudar uma cidade. E este que tenta sofreu uma perda muito grande.

Quem já tem consigo alguns anos de vida adulta sente dia após dia os problemas da cidade. Assaltos, pobreza, superlotação e soluções travadas devido a conflitos políticos e corrupção. Quem é filho ou filha da urbanização já se sentiu frustrado por morar em um local que nunca mudará, já se sentiu em Gotham.

Gotham exemplifica o urbano  

A cidade com a torre Wayne e o Asilo Arkham sempre é um dos personagens principais dos filmes. Não trata-se de um bairro em específico, não é uma grande metrópole vivendo um tempo ruim ou uma cidade controlada por somente um rei do crime.

Nos grandes clássicos do Homem-Morcego é transmitido uma sensação de décadas e mais décadas de decadência. Sobre a liderança, muitos dos que se denominam reis perdem o reinado rapidamente. A cidade é caótica e há muitos líderes criminosos querendo espaço a qualquer custo.  

Ao ver Gotham inundada, perceber que boa parte da polícia é corrompida e notar a efervescência política pela eleição, o público se relaciona. Não existe um Charada ou um Coringa no mundo real, entretanto, a atmosfera da cidade fictícia engole o público e ele sente que está vendo algo diferente, e não mais um filme de herói com um roteiro para colocá-lo em uma situação de conforto.

Histórias do Demolidor ou até mesmo do Homem-Aranha também tocam em temas mais pesados. Porém, há uma sensação de algo esporádico; um pedaço está corrompido... a salvação de Nova York está perto. Nas histórias do Batman, e cito o filme do Matt Reeves, Gotham inteira está podre. Fora isso, a narrativa faz questão de mostrar que este apodrecer moral é complexo e respinga em todos. O jovem que teve uma vida difícil ou o adulto que luta dia após dia vê o reflexo da própria cidade nas telas.

Aposta na essência do personagem

Animações e diversos quadrinhos são dedicados a retratar um Batman mais juvenil através de um roteiro mais simples. Isso muda ao se falar de cinema. Ao retratar o Homem-Morcego nas telas não existe um “adaptar-se”. Muitos heróis ganham uma nova versão de tempos em tempos para agradar um público adolescente. Para conseguir tal feito a essência do personagem acaba sendo alterada ou até mesmo mutilada.

A essência é mantida ao retratar o personagem criado por Bob Keane nos cinemas. Cada diretor dá uma nova visão para ela. Fãs respeitam isso e um novo público tem a chance de conhecer um personagem com uma essência bem construída.

Sucesso atrai sucesso

Quadrinhos clássicos que contam excelentes histórias, jogos de videogame que se aprofundam na questão do combate e filmes com ótimas visões dos personagens. Toda esta excelência com um universo ficcional gera respeito. O artista que tem o Batman em mãos não quer entregar só mais um trabalho qualquer e tem consigo um excelente material de referência. Esta causa e efeito faz bons trabalhos serem realizados que mantém a relevância e o sucesso do personagem.

Linhas ultrapassadas

Como você se sente ao assistir um filme de herói da Marvel ou da DC e depois ver uma nova adaptação do Batman? É diferente. Os vilões são mais violentos, profundos e a insanidade deles é escrachada para o público. Também deve ser pontuado que a sanidade do herói é questionada. Ao encadear estes elementos, é fácil fazer um paralelo com a realidade:

Ao vermos assassinos questionamos a sanidade deles e qualquer um que quer mudar toda uma sociedade sozinho é tachado de louco. Este relacionar-se facilmente com a vida de um cidadão urbano gera conexão e envolvimento com as obras.

Evolução

Tudo relacionado ao universo do Batman é o que mais evolui narrativamente nos quadrinhos. Bruce Wayne é aprofundado conforme novas histórias surgem, a relação dele com os pais é cada vez mais complexa e vilões ao ganharem uma versão mais desenvolvida narrativamente continuam a mantê-la. E isso é feito sem perder a essência do personagem principal.

Charada, Coringa, Pinguim… quantos vilões ganharam mais camadas conforme o passar dos anos? Cito o Charada que era um vilão de segunda linha nas histórias clássicas dos quadrinhos, ganhou destaque e profundidade na série de games Arkham e protagonizou ao lado do herói o The Batman. É fácil supor que esta nova versão será adotada nos quadrinhos ou em qualquer outra mídia.

O fã de longa data se apega à evolução e o público novo sempre está de braços abertos para boas histórias. Quem não é nenhum e nem outro, e gosta de boas construções narrativas, pode gostar de um novo filme, jogo ou quadrinho do Batman.

Exemplo a ser seguido

Não estou aqui para falar que tudo feito com o Batman é perfeito. Nem vou afirmar que as obras protagonizadas por ele estão a anos-luz de distância das outras. Destaco o fato dos artistas sentirem-se compelidos a fazer algo diferente, profundo e de impacto ao ter este ícone da Cultura Pop como matéria prima.

Que este novo sucesso dirigido por Matt Reeves estimule diretores a entregarem obras mais bem trabalhadas e autorais como The Batman. 


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