O fabuloso e desconhecido universo das HQs e graphic novels

O fabuloso e desconhecido universo das HQs e graphic novels

Imagem: Adriana Rodrigues

Livros são ótimas leituras, nos transportam para um mundo novo e trazem informações de culturas diversas, capazes de nos encantar e nos fazer imergir por completo em cada palavra escrita. Entretanto, há um universo tão incrível quanto, mas que é pouco valorizado: o universo das HQs e graphic novels.

Para quem não sabe, existe sim uma diferença em HQ e graphic novels. As HQs, ou histórias em quadrinhos, são histórias com continuações que saem quinzenalmente, mensalmente e até mesmo toda semana, podendo ter inúmeras edições de continuação de uma mesma HQ.

A página normalmente é em um papel mais fino, as lombadas são menores, e, geralmente, as histórias são voltadas para um público mais jovem. Já a graphic novel, ou, em português, Romance Gráfico, também é uma história contada em desenhos, com balões de fala e tudo mais, porém ela possui um enredo mais elaborado e profundo. As páginas costumam ser feitas em um papel mais grosso, com lombadas maiores e, geralmente, o público-alvo é mais maduro devido à profundidade dos temas tratados.

Um exemplo de graphic novel profunda e sensível é “A Diferença Invisível”. Nessa história, vamos conhecer Marguerite, uma jovem de 27 anos que possui Síndrome de Asperger e sofre diariamente com a incapacidade das pessoas em entenderem e respeitarem os seus limites.

A complexidade do tema é aumentada a cada página e em pequenas doses, e aos poucos somos transportados para dentro da mente da personagem. Isso nos permite criar empatia por ela, além de nos suscitar um questionamento acerca do quanto uma mulher com espectro autista demora para ser diagnosticada e compreendida, e mesmo após o diagnóstico, o respeito e a compreensão por parte daqueles que convivem com ela não acontece.

A história de “A Diferença Invisível” é inspirada na vida real de Julie Dachez, autora da obra, e conta com ilustrações de Mademoiselle Caroline. É uma criação de traços leves e soltos, que faz um jogo de cores usando o branco, preto, cinza e vermelho, com cada cor sendo utilizada para intensificar um momento diferente da vida de Marguerite no decorrer do livro.

Outra graphic novel muito prestigiada e intensa é “Persépolis”, de Marjane Satrapi. A história é uma autobiografia da autora, que é iraniana, e vai se passar no Irã antes da revolução que lançou o país nos braços do sombrio regime xiita, que vai implantar a atual república islâmica. Os traços da autora são pesados, mas não muito demorados, tal qual foi a revolução na qual Marjane viveu, e as cores são em um preto intenso que de vez em quando abre espaço para o branco. 

A tristeza que sentimos a cada página acaba ficando muito latente, principalmente por ser uma obra autobiográfica, o que nos obriga a enxergar que aquilo tudo realmente aconteceu. Essa obra é capaz de abrir os nossos olhos para conseguirmos ver além da nossa realidade ocidental, para sermos capazes de ver outros países sem preconceitos ou ideias preestabelecidas. Uma obra-prima que, de fato, merece toda a atenção e mérito que tem.

Agora, falando do universo das HQs, temos a pouco conhecida “Family Tree”, criada por Jeff Lemire e ilustrada por Phil Hester, Eric Gapstur e Ryan Cody. Essa história vai se passar na cidade de Lowell, nos EUA, e vai contar a história de uma família nada peculiar. Em um dia qualquer, Loretta, mãe solteira de dois filhos, descobre que sua filha está se transformando em algo nada comum: uma árvore.

A partir desse ponto, começa a saga em busca da cura da menina, na qual a mãe, o irmão e o excêntrico avô correm contra o tempo em busca da cura enquanto lutam contra mercenários assassinos e adeptos de cultos fanáticos, todos dispostos a fazer qualquer coisa para usar a menina para benefício próprio. 

A história tem um traço muito parecido com o que foi usado em “The Walking Dead”, com tons mais escuros e densos, tudo para dar um ar apocalíptico à história. Atualmente, apenas a primeira edição foi publicada em português, mas quem gostar de ler HQs em inglês já pode adquirir a segunda e terceira edições da saga dessa família única.

Seria possível ficar horas e horas aqui recomendando as mais incríveis HQs e graphic novels, tamanho é o repertório desses nichos literários. Partindo desse ponto, é perceptível que por mais que haja diferença entre um estilo e outro, ambos possuem histórias ricas e que merecem mais reconhecimento e prestígio.

Não há dúvidas de que os livros são muito importantes para a literatura e o desenvolvimento do gosto por ler, mas o universo das histórias gráficas também podem nos trazer muito conteúdo de qualidade e com reconhecimento internacional, por muitas vezes, e também são capazes de aflorar em nós o gosto pela leitura. Afinal, literatura é um termo que abarca tudo, até mesmo as HQs e as graphic novels.


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