Cuidados na Contratação de Influenciadores Digitais

Cuidados na Contratação de Influenciadores Digitais

Imagem: Geralt/Pixabay

Já falamos aqui sobre a importância dos influenciadores digitais na nova realidade do marketing digital. Contudo, embora influenciadores sejam cada vez mais relevantes nas estratégias de marketing das marcas, ainda há um caminho a ser percorrido na profissionalização dessa relação, visando à garantia no cumprimento das obrigações e negócios desse segmento.

Muitas vezes achamos que o trabalho de negociação se encerra no momento em que marca e influenciador chegam a um acordo em relação ao preço e ao escopo da entrega. Ao fazer um acordo com um influenciador digital para ações de marketing de influência com a sua empresa, o que você precisa ter em mente é que tudo precisa ser combinado com clareza para evitar problemas futuros.

O instrumento usado para essa finalidade pode variar entre um documento informal (como uma troca de e-mail) e um contrato elaborado por um advogado e assinado entre as partes. A escolha de um formato ou do outro depende, basicamente, da sua necessidade.

Em geral, no mercado, contratos são assinados quando um dos lados faz essa exigência para se sentir mais seguro — ou mesmo por regras de compliance, que são comuns em grandes empresas. Pessoalmente, sugiro que, em seu primeiro contato, solicite o mídia kit do influenciador.

Lá deverão constar desde os números das suas redes sociais, o nicho em que está inserido e as métricas que são entregues, como interações, por exemplo. Por isso, ao formalizar o acordo com o influenciador, você deve deixar claro o que espera dele e vice-versa.

Ou seja, o que você como contratante oferecerá em contrapartida. Certifique-se, então, de que o documento que formaliza a relação deixe claro o combinado em relação às entregas que serão feitas pela marca e pelo influenciador. Por exemplo, pode ser uma sequência de stories ou um determinado número de posts. Seja bem preciso em relação à quantidade, mencionando a periodicidade ou as datas de publicação.

Defina também o briefing da ação ou campanha, com o direcionamento do que deve ser falado — e até o que não pode ser mencionado, se houver algo a ser vetado. Por exemplo, em alguns casos empresas preferem que um assunto polêmico não seja mencionado ou que um concorrente não seja citado.

Algumas situações justificam comportamentos determinados, um exemplo bastante clássico é a contratação de determinada pessoa em razão de determinada característica (cabelos loiros, cabelos ondulados, entre outras). Logo, a manutenção da característica fundamento da contratação durante o prazo do contrato é algo esperado do influenciador e deve constar no contrato.

Se o seu acordo for informal, esses itens devem constar, por exemplo, no e-mail que você enviar ao influenciador para que ele responda com um “de acordo”. A ABRADI, Associação Brasileira de Agências Digitais, lançou em 2017, o seu Código de Conduta para Contratação de Influenciadores, em que recomenda “manter como prática permanente o cumprimento da legislação na contratação de influenciadores para campanhas publicitárias digitais, mediante contrato específico, conferindo profissionalismo e legitimidade aos acordos. Tratativas verbais, troca de e-mails e/ou de mensagens instantâneas podem não ser considerados caso ocorra um eventual conflito jurídico”.

Nesse aspecto, ainda é importante frisar que o influenciador deve estar devidamente formalizado para atender ao contrato, emitindo o documento fiscal adequado à forma de contratação que estabeleceu. Não são raras as dificuldades para que um anunciante efetue o pagamento, em virtude de ausência de constituição de pessoa jurídica com a atividade adequada à prestação de serviços realizada.

Um dos pontos mais importantes de qualquer contrato é prever portas de saída em situações de risco. No universo do marketing de influência, a chave é proteger as imagens de anunciante e de influenciador. Logo, dentre outras hipóteses aplicáveis caso a caso, prever a saída com efeitos imediatos e sem prejuízo de eventuais perdas e danos à imagem da outra parte é altamente recomendável, com a obrigação de desvinculação da imagem do influenciador daquela marca anunciante.

Vale notar aqui que os remédios jurídicos não excluem os planos de contenção de danos pelos times de marketing dos anunciantes. Afinal, a reação dos consumidores é tão imediata quanto à mensagem do influenciador, que aumenta em progressão geométrica e no silêncio do anunciante afetado, os danos podem tomar proporções bastante indesejadas.

Desse modo, verificado o impacto que as opiniões e comportamentos de influenciadores podem ter sobre a credibilidade, a reputação, os resultados de vendas e a rentabilidade das marcas anunciantes, as cautelas com a contratação devem começar ainda na fase pré-contratual.

Sugerimos a análise e o estudo do histórico do influenciador, dos valores defendidos por este, do público-alvo e nicho consumidor atingido. Ultrapassada essa seleção criteriosa, mostra-se fundamental a construção cautelosa do contrato, negociado de boa-fé, com as medidas e as consequências de possíveis ações não-relacionadas às entregas publicitárias contratadas, mas vinculadas à imagem do influenciador e que possam vir a causar danos à imagem do anunciante.

Recomenda-se, portanto, a despeito da urgência e oportunidade de timing inerentes às estratégias de marketing, um trabalho integrado com o suporte jurídico especializado, no sentido de antecipar e alocar riscos, ponderando-os em relação aos benefícios dos anunciantes nas mais diversas estratégias publicitárias, em quaisquer meios de mídia.


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