Autoestima intelectual e síndrome de impostora

Autoestima intelectual e síndrome de impostora

Imagem: Pexels

Autoestima é apenas se achar bonita?

Vivemos tempos sombrios em que todos, literalmente, saem com o mesmo molde dos consultórios de demonização facial: queixo quadrado, nariz fininho e lábios carnudos.

Óbvio que a saga pela beleza perfeita não é novidade, novidade mesmo são os procedimentos que se renovam e como mulheres cada vez mais jovens estão mexendo no seu rosto.

Vivemos num momento que está proibido envelhecer.

A corrida não é mais para ser bonita é pra ser jovem para sempre.

Estão alcançando?

Aí depende do ponto de vista e do quanto você gosta de filmes de terror, kkkk #desempoderadas

Mas apesar dessa fixação insana por uma beleza única, e bem racista inclusive, o meu texto não é sobre isso. É sobre outra autoestima, aquela que não é a do close, da lipoled, do silicone, nada de ácido hialurônico.

A de dentro!

Como anda a sua capacidade de produzir? Criar, fazer!

Tem uma frase linda que eu ouvi da minha irmã Carolina Rocha.

Nós mulheres somos parideiras, e não se trata só de filhos. Parimos sonhos, projetos, ideias, verdadeiras revoluções dentro do nosso lar, campo de pesquisa, na nossa comunidade, nos nossos amigos.

Eu gosto muito dessa analogia com o nosso útero e o poder de criar vida em tudo e não só a vida de alguém.

Filosofia africana sempre fazendo tudo.

O quanto parideiras nós estamos? O quanto estamos comprometidas com nossos próprios planos e acreditando que podemos fazer.

Há um mês eu passei pela minha pior crise de autoestima intelectual. Pior, porque eu já tive outras em que minimamente eu conseguia produzir o básico.

Essa foi a pior porque me paralisou por inteira.

A famosa síndrome da impostora, a autossabotagem que faz a gente cismar que somos incompetentes ou que nosso trabalho está insuficiente. Chamo de cisma porque não importa quem elogie, se emocione ou até pague por isso, a gente cisma que não está bom e para de fazer.

Decreta o "não sou capaz" e empaca.

Imagino que todos em algum momento da vida passem por isso. Porém, sobretudo para pessoas pretas, essa síndrome e essa suposta incapacidade tem muito a ver com o racismo que desde pequenas tenta nos entubar que não somos belas e não somos inteligentes.

Que somos feias, não tem mais como acreditar.

Inclusive tá uma onda de preenchimento labial né?! As minas tudo querendo ficar com a boca parecida com as das pretinhas que elas zoavam na escola rs eita mundo que dá voltas.

Não tem acessório para a autoestima intelectual. Quando eu tô me achando mais ou menos, já que feia é impossível eu uso minha lace loira, meu conjunto vermelho, a famosa saia branca e fecho tudo sem ser feriado.

E quando a gente tá se sentindo incapaz intelectualmente veste qual roupa, qual cabelo?

Como faz para enganar o cérebro e parar a autossabotagem?

Quais são as principais crenças limitantes que devemos abandonar?

Um plug de desligar quando a síndrome vem chegando seria o ideal. Mas sabemos que não funciona assim.

Essa falsa percepção de si mesma é dolorida, mas (ao menos pra mim) funcionou sentar no fundo do poço e ir subindo devagarinho.

Terapia, bons amigos, samba e uns beijos na boca tem me ajudado bastante.

Recomendo…

Não sou psicóloga (ainda) é o conselho que posso dar.

Não podemos deixar de parir nossos sonhos.


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