Como a Tecnologia está se preparando para suportar a estratégia de Open Finance

Como a Tecnologia está se preparando para suportar a estratégia de Open Finance

O Open Banking foi um passo considerável na democratização de serviços financeiros. Com o acesso de outras instituições aos serviços bancários por meio de APIs, os consumidores puderam se conectar a uma gama mais ampla de produtos e ter maior controle sobre seu futuro financeiro.  

Com o Open Banking caminhando em direção ao Open Finance, a tecnologia teve que se preparar para suportar a nova estratégia do serviço financeiro.   

Essa ressignificação da tecnologia faz parte do avanço da transformação digital, atrelada a visões estratégicas, além de caminhar de mãos dadas com o projeto como um todo.  

A tecnologia no Open Banking 

O Open Banking oferece a provedores terceirizados acesso aberto a contas de consumidores e de negócios, transações e outros dados financeiros por meio de interfaces de programação de aplicativos (APIs).  

As três principais projeções que movem a indústria para o Open Banking são implacáveis:   

  • As expectativas do consumidor quanto à facilidade e rapidez da mobilidade;  

  • Grande concorrência de tecnologia e fintech;  

  • Diversas regulamentações globais em constante mudança. 

Com o objetivo de esclarecer ainda mais como a tecnologia está se moldando ao Open Banking, no Open Finance Conferece pudemos assistir a um painel com o seguinte tema: Como a Tecnologia está se preparando para suportar a estratégia de Open Finance

Pudemos contar com a participação de Leonardo Lages, Coordenador de Arquitetura do Tribanco, e Igor Freitas, Head de Transformação Digital na XP, mediados por Claudio Maia, Open Banking Leader LATAM - Axway.  

Equilibrando a balança da inovação com segurança 

A jornada do Open Banking é longa e trabalhosa.   

Um dos principais motivos para a demora na implementação das fases é o desafio em torno das APIs, necessárias para a troca de dados entre provedores de serviços, a experiência do cliente e, principalmente, implantar a inovação com segurança.  

Igor Freitas destaca que o Open Finance e a evolução da tecnologia promovem possibilidades de escolha para o cliente.   

“Ter a possibilidade de escolha faz com que as empresas utilizem a tecnologia de uma maneira diversificada, coerente, correta e principalmente abrangente”.  

É claro que ter esse benefício também envolve trabalhar o desafio da segurança. Igor afirma ser necessário que as organizações busquem novas ferramentas mais seguras e que façam parte de uma jornada tranquila e sem fricção para o usuário.   

Quando a organização se planeja para utilizar a tecnologia a seu favor, ela pode ser mais inclusiva, prática e personalizada.  

Além disso, pensar em novas práticas tecnológicas pode trazer resultados positivos, já que mantém a roda da competitividade girando e garante inovações criativas.   

Os benefícios são muitos, mas como planejar a implementação tecnológica? 

Com tantas oportunidades surgindo em decorrência do Open Banking, as instituições precisam pensar nas melhores formas de montar uma estrutura tecnológica que vá simplificar o processo de abertura de suas APIs.  

Leonardo Lages diz que o principal desafio é encontrar uma forma de garantir uma boa comunicação entre as instituições financeiras, sejam elas os grandes bancos, ou as novas fintechs que já estão fazendo parte do Open Banking.  

Além disso, é preciso também ter um bom sistema de governança corporativa. De forma simplificada, governança diz respeito ao conjunto de processos, costumes, políticas, leis, regulamentos e instituições que estabelecem a maneira como uma empresa é dirigida.  

“Além de ter um bom sistema de comunicação, as empresas precisam ter sistemas seguros, rápidos e escaláveis”, diz Leonardo.   

Leonardo também destaca que, graças ao planejamento do Banco Central em estabelecer regras de funcionamento, governança e formas de como compartilhar as APIs entre as instituições, o processo de implementação do Open Banking de forma segura foi muito mais prático.   

O que não fazer quando o assunto é inovação

Um dos principais tópicos abordados no painel foi sobre o processo de tentativa e o erro. Ele pode ser aplicado às instituições financeiras?  

De acordo com Igor, isso não é algo que deva ocorrer. “A tentativa e erro de forma nua e crua talvez não funcione [no Open Banking], principalmente porque estamos falando dos dados dos clientes”, diz ele.  

O que o palestrante enxerga é que as instituições, para não correrem grandes riscos, devem pensar em um produto pequeno, viável e que esteja dentro dos conformes de segurança.   

Dessa forma, é possível testar produtos sem comprometer a segurança dos dados. De forma mais incisiva: dentro do Open Banking não existe tentar e errar, e sim realizar pequenas experimentações.   

Benefícios de queimar a largada e ficar à frente dos concorrentes 

Sair na frente de seus concorrentes pode ser uma boa forma de garantir o diferencial da sua instituição para com as outras.  

Seguindo a linha de experimentações com segurança, aquela instituição que se dispuser a desenvolver produtos inovadores e que priorizem a experiência do usuário estará um passo à frente das outras.  

Igor destaca que desenvolver esses produtos pode representar uma boa oportunidade para testar tecnologias mais vanguardistas, atreladas a produtos inovadores de sucesso, desde que a escolha pelo produto não comprometa grande parte da renda da instituição.  

“O risco faz parte da experimentação e da inovação, desde que seja feito com responsabilidade”, relata Igor.  

Como deve ser uma estrutura tecnológica  

O primeiro passo no desenvolvimento de novas tecnologias para o Open Finance, de acordo com Leonardo, é pensar em uma plataforma que seja robusta e segura.  

É preciso impor um alto nível de segurança para que os dados do cliente estejam seguros. Depois disso, deve-se ter uma interface fácil, que seja rápida e que poupe manutenção das APIs que estão disponibilizadas no ecossistema do Open Finance.   

A documentação dessas APIs também deve prover meios para que o cliente consiga fazer a gestão dos dados que ele vai compartilhar.  

“A gente deve disponibilizar também uma interface para que novos parceiros consigam se integrar a esse ecossistema”, disse Leonardo.  

Outra funcionalidade que deve estar presente em uma estrutura tecnológica são as métricas para que as instituições possam ver como as APIs, os usuários e os clientes estão utilizando o sistema bancário aberto.  

Integrando sistemas legados as novas tecnologias 

Na medida em que as empresas enfrentam crescimento e expansão, também enfrentam o problema da integração do sistema legado com novas tecnologias, aplicativos da web, aplicativos móveis e também na nuvem.   

Os sistemas legados são tecnologias antigas e inflexíveis, colocadas em prática no passado para resolver os desafios de negócios na época, porém, ainda em uso.   

Esses sistemas, por causa de sua longa vida útil, tendem a ser frágeis, obsoletos e difíceis de integrar com novos serviços em nuvem e baseados na web.   

Os sistemas legados estabelecidos permanecem em uso pelas empresas, porque a substituição é um processo extenso e caro.  

Por esses motivos, e pelo fato da integração de sistemas ser muito complexa, é difícil que uma instituição abra mão do seu sistema legado para usar somente novas tecnologias.   

Para tentar realizar a integração, Leonardo sugere que o processo deve ocorrer da forma menos impactante possível para o seu negócio.  

Caso o sistema legado não seja de autoria da instituição e seja um serviço terceirizado, é preciso recorrer aos parceiros para ajudar neste processo de integração.  

A oportunidade está na nossa cara 

O Open Banking será responsável pela criação de um mercado mais aberto e integrado no setor financeiro.   

Essa tendência acompanha novas oportunidades de negócios, não só para bancos, mas também para empresas de outros segmentos em que o fluxo de dinheiro é significativo.   

O projeto está acontecendo agora. Olhar para o tema muito além da questão da regulação é uma forma de garantir uma posição privilegiada na nova economia do setor financeiro.  


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