A bolha de Ciro Gomes nas redes sociais ainda existe?

A bolha de Ciro Gomes nas redes sociais ainda existe?

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Um dia antes do primeiro turno das eleições de 2018, um sentimento tomou conta de uma bolha nas redes sociais: Ciro Gomes seria presidente da República. Com certeza, ele já tinha passado Fernando Haddad na corrida e, no segundo turno, com toda a centro-esquerda e a esquerda se unindo, faria o que Leonel Brizola não fez, ao não conseguir ir ao segundo turno em 1989. 

A sensação era clara, estava em cada post compartilhado com a declaração de voto. Porém, na hora do resultado oficial, que chegou muito perto do que estava previsto nas pesquisas, os mais de 13 milhões de votos caíram como uma grande derrota. E foi quando as pessoas começaram a se perguntar: “Como assim? Por que o resultado foi diferente do que aparecia nas minhas redes?” 

E foi neste episódio que muita gente entendeu que os algoritmos das redes sociais traem a percepção. E mais: ao brigar e excluir os amigos e parentes bolsonaristas e petistas do Facebook e do Twitter, só ficaram os ciristas, juntos, celebrando a grande onda da virada. 

Mas e em 2022?

Se a esperança da vitória sobre Jair Bolsonaro num provável segundo turno pode ter retirado alguns votos de Haddad e levado para Ciro em 2018, isso parece não estar acontecendo agora.  

Nas pesquisas para a Presidência em 2022, ele não vai muito além dos 5%. Para um candidato de primeira viagem, poderia ser interessante. Porém, para alguém com histórico de testes nas urnas, isso é uma péssima notícia. Demonstra que uma grande parte dos votos de 2018 voltou para a origem, ou seja, o candidato do PT, que neste ano deve ser Lula. 

A Ciro, aparentemente, sobraram os que acreditam no projeto que ele representa, além dos poucos brizolistas e trabalhistas históricos que ainda existem por aí. E isso é pouco. 

Fazer frente a Lula, com toda a capacidade que o ex-presidente tem de negociar com o ambiente político, além da representação de um governo bem-sucedido, é uma tarefa ingrata, que faz com que, no discurso de Ciro, haja uma frequente indecisão sobre a possibilidade ou não de ataque ao PT e ao ex-presidente. 

Mesmo ao acenar a Marina Silva, que parece também não conseguir mais retomar a relevância eleitoral, Ciro não consegue apresentar nenhuma novidade. A comunicação, que a cada momento apresenta conceito e posicionamentos diferentes, também não consegue entrar nos trilhos.  

Começou com a ideia Prefiro Ciro, ao tentar se colocar como alternativa ao centro para um eleitorado dividido, e agora começa a ensaiar a retomada de heranças históricas com um slogan quase literário: A Rebeldia da Esperança. Uma demonstração de um João Santana razoavelmente perdido no caminho.  

As perguntas que podem ficar são: para que serve a rebeldia em um momento como esse, em que a democracia desmorona a olhos vistos? Que esperança é essa, que, em vez de planejada estrategicamente, é capitaneada por um rebelde? Na rebeldia, há paixões ou planejamento? E ela não contradiz o plano-livro do mesmo Ciro Gomes, o Projeto Nacional? 

Porém, de todas elas, a pergunta mais importante é: a bolha Ciro Gomes ainda existe? Se sim, qual é o tamanho dela? 

Até outubro, as respostas virão!


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